Pais defendem maior investimento nos alunos para inverter cultura de chumbos

O presidente da Confederação Nacional de Associação de Pais defende um maior investimento nos alunos para inverter a cultura da retenção (chumbos), considerado pelo Conselho Nacional de Educação como o problema mais grave do sistema educativo.
créditos: TIAGO PETINGA/LUSA

Em declarações à Lusa, Jorge Ascensão sublinhou que a CONFAP tem defendido por diversas vezes a necessidade de se “alterar a cultura da retenção para uma cultura de certificação”.

“Em vez de estarmos a seguir um caminho da retenção como processo de melhoria que não tem dado resultados - os alunos retidos acabam por cair num ciclo vicioso de retenção - temos de perceber as dificuldades de cada um, as suas maiores fragilidades e tentar apoiar essas dificuldades para que os jovens as ultrapassem e alcancem os objetivos”, explicou.

O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), David Justino, defendeu que as elevadas taxas de retenção de alunos (chumbos) são “o problema mais grave do sistema educativo”, o qual quer ver na agenda dos partidos e das políticas públicas.

Numa conferência de imprensa em que apresentou a recomendação do CNE ao Governo relativa à retenção no ensino básico e secundário, David Justino referiu a necessidade de trazer o tema para a discussão política, dizendo que deve estar na agenda dos partidos, se se quiser combater o fenómeno que envolve cerca de 150 mil alunos no sistema de ensino (público e privado), com um custo de cerca de 600 milhões de euros, se se admitir que cada aluno custa ao Estado cerca de quatro mil euros por ano.

Para Jorge Ascensão, a mudança passa por um “maior investimento na prevenção e acompanhamento”, de forma a proporcionar “maior probabilidade de atingir os objetivos e que os alunos sejam capazes de atingir o que é pretendido no programa”.

“A questão da retenção tem provado que não tem resolvido muita coisa”, reiterou, sublinhando não ser o caminho “mais ajustado”, além de avançar estar provado por alguns estudos “que não é através da retenção que se tem melhorado as aprendizagens”.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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