Neuropsicóloga britânica explica como combater "bullying" nas escolas

Promover competências sociais em crianças através de Grupos de Amizade de combate ao "bullying" é o objetivo de um programa cognitivo criado por uma neuropsicóloga britânica e agora revelado num livro a apresentar este sábado no Porto.
créditos: AFP/MARTIN BUREAU

“Cérebro: A mente cognitiva social na promoção das competências psicossociais em grupos de pares” é o título do livro que contém parte da tese de doutoramento de Débora Elijah, neuropsicóloga e consultora educacional que desenvolveu o programa em causa e que chegou a implementar na escola Kings Ways Júnior, no Reino Unido, entre 2008 e 2010.

“O PROSCIG (Programa Sócio Cognitivo de Intervenção em Grupos de Pares em Redes Sociais) tem como objetivo promover as competências sociais em crianças dos seis aos 11 anos de idade, sobretudo em crianças de baixas competências psicossociais, no seio de Grupos de Amizade, e tem como um dos efeitos o combate ao 'bullying'”, explicou a autora.

Pensado e desenvolvido pela autora a partir da sua experiência profissional em países como Bélgica, Inglaterra, França, Portugal e Israel, o programa permite, “sobretudo às crianças de baixa competência psicossocial, o desenvolvimento da assertividade, da comunicação e da confiança”, assinalou.

Através deste método, defende a autora ser possível promover “o bem-estar dos visados, o seu ajustamento social”, resultando “indiretamente numa melhor performance escolar e inclusão social”.

A autora defende a implementação do programa em redes escolares onde deverão ser criados os Grupos de Amizade, com seis elementos, juntando “crianças de baixas habilidades sócio-cognitivas com crianças de altas habilidades”, em sessões de “uma hora de interação e cooperação social”.

“O PROSCIG pode contribuir para o combate ao ‘bullying’, quer na ótica preventiva, quer na ótica repressiva, porque trabalha as competências psicossociais para um bom relacionamento entre pares”, frisou.

Segundo a autora, “o ‘bullying’ alimenta-se muitas vezes da fraqueza, da baixa autoestima, da falta de confiança, das dificuldades de aprendizagem e consequentes distúrbios emocionais”, pelo que “quem desenvolve as suas competências e as suas habilidades sociais torna-se mais seguro, mais resistente e mais capaz de se defender”.

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