Mais de 400 crianças que viviam em instituições foram adotadas em 2012

443 menores foram integrados numa família adotante, a maioria crianças até aos cinco anos

Mais de 400 crianças que em 2012 se encontravam em instituições ou famílias de acolhimento foram adotadas, a maioria com menos de cinco anos, uma realidade que estará em debate a partir de quarta-feira numa conferência internacional, em Lisboa.

 

Segundo um relatório do Instituto de Segurança Social, entregue na sexta-feira na Assembleia da República, 1.582 crianças e jovens que viviam em instituições ou famílias de acolhimento estavam em condições legais para serem adotados. Deste universo, 443 menores (28%) foram integrados numa família adotante, a maioria (66%) crianças até aos cinco anos.

 

A adoção e o superior interesse da criança no processo vão estar em debate, na quarta e na quinta-feira, em Lisboa, numa conferência internacional organizada pela cooperativa "Pelo Sonho é Que Vamos", que tem um centro de acolhimento temporário para menores em risco, no concelho do Seixal.

 

"Partimos para esta iniciativa fruto da nossa experiência do dia-a-dia e da partilha com outras instituições das mesmas dificuldades e realidades. O que sentimos é que muitas vezes os processos das crianças são travados por questões que deviam ser evitadas. Fazemos sempre as coisas da mesma maneira, as questões estão institucionalizadas e a justiça é lenta", disse à Lusa Manuel Matias, presidente da Cooperativa "Pelo Sonho é que Vamos", na apresentação do encontro.

 

De acordo com o relatório da Segurança Social - CASA 2012/Caracterização Anual da Situação de Acolhimento de Crianças e Jovens - a maioria dos menores que iniciaram o período de pré-adoção (121) estiveram em instituições de acolhimento mais de um ano, entre 13 e 14 meses. As crianças e os jovens que conseguiram ser adotados encontravam-se, grande parte, em Centros de Acolhimento Temporário (80,1%). Uma pequeníssima parte estava em famílias de acolhimento (1,6%).

 

O relatório refere que dos 1.582 menores que se encontravam em acolhimento institucional ou familiar e que estavam em situação de adotabilidade, 652 (41,2%) tinham um projeto de adoção definido por técnicos e 487 (30,7%) eram abrangidos por medidas de promoção e proteção, determinadas pelo tribunal, com vista a adoção.

 

O documento-síntese realça a redução, "embora ligeira", do número de crianças e jovens com projeto de adoção, redução essa proporcional ao número de menores com medidas de promoção e proteção ou integrados em famílias adotantes. O mesmo relatório assinala ainda os "longos tempos de institucionalização" de crianças e jovens entre os 10 e aos 14 anos.

 

Lusa

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