Há jovens que ficam demasiado tempo em instituições de acolhimento

Risco de marginalização pessoal aumenta, alerta psiquiatra Daniel Sampaio

O psiquiatra Daniel Sampaio alertou hoje que há jovens que ficam demasiado tempo em instituições, correndo o risco de “perderem em definitivo os seus vínculos fundamentais” e de se sentirem marginalizados, o que terá repercussões no seu desenvolvimento.

 

Para alertar a opinião pública para a “dimensão e importância deste problema” e apoiar equipas que trabalham nesta área, a Fundação Calouste Gulbenkian criou o programa “Crianças e Jovens em Risco”, coordenado por Daniel Sampaio.

 

O programa abrange 143 jovens (87 rapazes e 56 raparigas), com idades entre os 12 e os 21 anos, que estão numa situação em que o tempo de permanência na instituição varia entre um a três anos, disse à agência Lusa o coordenador científico do programa.

 

“Em muitos casos, este tempo devia ser encurtado e temos de trabalhar melhor” para isso aconteça, disse o responsável, salientando que é “uma realidade para a qual as pessoas precisam de ser alertadas”.

 

Daniel Sampaio explicou que a primeira parte do programa, que consistiu em apoiar equipas que se dedicavam à educação parental, terminou e terá agora início a segunda parte dirigida aos jovens em acolhimento institucional.

 

“Sabemos que estão jovens institucionalizados que têm problemas graves na sua família e no seu desenvolvimento e estão numa situação que tem de ser temporária”, disse o psiquiatra.

 

Contudo, devido “a diversas vicissitudes, muitas vezes estão mais tempo do que seria desejável”, lamentou, sublinhando que “não faz sentido manter esses jovens durante muito tempo fora do ambiente familiar adequado ou sem um projeto de vida”. 

Falta de técnicos

Sobre as razões que levam estes jovens a ficarem demasiado tempo institucionalizados, apontou o facto de, muitas vezes, as instituições não terem o número de técnicos necessários para uma intervenção eficaz.


Muitas vezes, também é difícil trabalhar com as famílias dos jovens devido a problemas que têm e “o próprio sistema tem dificuldade em ajudar estes jovens a definir um projeto de vida autónoma”, afirmou.

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