FNE quer que o pré-escolar comece aos zero anos

A Federação Nacional de Educação (FNE) quer que o sistema pré-escolar seja alargado aos zero anos de idade e rejeita uma escola que "se limita a preparar alunos para exames", informa o secretário-geral, João Dias da Silva.

Numa conferência de imprensa, no Porto, que serviu para fazer o balanço da legislatura no setor da Educação e divulgar a agenda reivindicativa para os próximos quatro anos, a FNE defendeu como "fundamental" a revisão da lei de base do sistema educativo que estabelece, nos três anos de idade, a educação pré-escolar.

"Não se trata de uma questão meramente concetual, mas sim parte da convicção de que as crianças devem ser sempre acompanhadas por pessoas qualificadas", disse o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva.

O responsável referiu que a escolaridade média dos portugueses não ultrapassa ainda o 8.º ano, apesar da escolaridade obrigatória ter passado do 9.º para o 12.º ano, apontando que "isto significa que as ofertas educativas têm ficado muito aquém daquilo que é a imposição legal".

Antecipar a formação

"É difícil e tem sido difícil, mas também podemos dizer que a taxa de cobertura de crianças com quatro anos de idade já ronda os 80% (...). Entendemos que [a educação pré-escolar] deve ser antecipada. As crianças não nascem com três anos. A sociedade tem realidades novas. A escola não tem de resolver mas é preciso que a sociedade consiga resolver esses problemas", disse João Dias da Silva, enumerando a precariedade no trabalho, as famílias monoparentais e o trabalho por turnos.

A FNE considera que "uma educação pré-escolar feita com educadores de infância é a base de percursos educativos com sucesso", numa altura em que, indicou o secretário-geral, Portugal apresentou neste "último ano elevadas taxas de retenção".

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