Ensino do Português no estrangeiro pode desaparecer, alertam professores

A diminuição dos cursos de português nos estrangeiros fornecidos pelo governo está a preocupar as comunidades e os professores, que se queixam dos cortes num momento em que a emigração aumenta.
créditos: AFP / FRED DUFOUR

“Com a redução anual, em média, de 30 horários por ano matematicamente é certo que o sistema de ensino português no estrangeiro esteja extinto daqui a mais ou menos oito anos”, disse à Lusa a secretária-geral do Sindicato dos Professores das Comunidades Lusíadas (SPCL), Teresa Soares.

Os cursos do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) para o ano letivo 2014/2015 têm menos 39 horários - completos e incompletos – numa oferta que inclui disciplinas de português integradas nos sistemas de ensino locais e formações associativas e paralelas, asseguradas pelo Estado português, noutros países.

No ano letivo 2013/2014, a rede do ensino do português no estrangeiro assegurou 356 horários/professores, 30 a menos do que o ano letivo 2012/2013, que ofereceu 386 horários/professores.

Segundo dados do Camões, no ano letivo 2014/2015 tem 43.496 alunos no EPE.

O Relatório da Emigração 2013 (do Observatório da Emigração), documento lançado em julho pelo Governo, indicou que no ano letivo 2012/2013 o número de alunos do EPE foi de 54.083 e, no ano letivo 2013/2014, 45.220 alunos frequentaram este sistema de ensino.

Teresa Soares sublinhou ainda que, neste ano letivo, ocorrerá uma grande aglomeração de estudantes por curso, com idades e níveis diferenciados, além de uma maior deslocação dos professores, fatores que levam a “uma degradação da qualidade do ensino e perda de alunos”.

Outro ponto que afastaria os alunos do EPE seria a decisão do atual Governo de incluir pagamento de propinas - que inclui o fornecimento de uma posterior certificação - para a frequência nos cursos em alguns países.

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