Crianças com baixa visão devem ser mais estimuladas

As dificuldades visuais que não são passíveis de ser corrigidas, nomeadamente com óculos ou por cirurgia, podem manifestar-se desde o nascimento e só uma intervenção precoce na infância pode permitir o máximo estímulo da visão e diminuir as dificuldades cognitivas.
créditos: LUSA

O alerta é da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO).

É fundamental a realização nos dois primeiros meses de vida de um exame oftalmológico em crianças de alto risco, nomeadamente as que apresentem potencial para sofrer de retinopatia da prematuridade, as que tenham história familiar e/ou suspeita clínica de retinoblastoma, de cataratas infantis, de glaucoma congénito e de doenças metabólicas e genéticas.

Paulo Vale, Coordenador do Grupo de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo da SPO, explica que a visão é central no desenvolvimento e na aprendizagem, sobretudo na aprendizagem espontânea, conferindo uma imagem integrada do mundo. Refere também que a incapacidade de adquirir novas informações visuais, causada pela baixa visão, conduz a uma falta de estímulos, levando o sistema visual a permanecer subdesenvolvido.

“O desenvolvimento do sistema visual destas crianças não se produz da mesma forma espontânea e intuitiva que acontece numa criança sem problemas oftalmológicos. Estando esse sentido enfraquecido, muitos dos conceitos e aprendizagens que são adquiridos espontaneamente através da visão, ir-se-ão desenvolver de um modo fragmentado, baseados em informações parcelares, provenientes dos restantes sentidos e em descrições verbais subjetivas, o que compromete o desenvolvimento conceptual e linguístico”, defende o especialista, em comunicado.

Estimular a função visual

As dificuldades cognitivas surgem “se não houver uma intervenção precoce no sentido de estimular ao máximo a função visual da criança. É importante utilizar estratégias para que as crianças aprendam também através dos outros sentidos, nomeadamente através da audição e do tato, para que haja uma complementaridade dos canais recetores de informação.

Comentários