Associações de apoio a alunos com deficiência ameaçam suspender atividade

As organizações que representam as pessoas com deficiência estão em rutura com o Ministério da Educação, que acusam de fazer “gestão merceeira” das Necessidades Educativas Especiais, e ameaçam suspender a atividade dos Centros de Recursos para a Inclusão.
créditos: TIAGO PETINGA/LUSA

Os Centros de Recursos para a Inclusão (CRI) são estruturas de apoio, geridas por instituições que trabalham com pessoas com deficiência, que prestam serviços complementares aos oferecidos pelas escolas públicas aos alunos com necessidades educativas especiais, desde terapia da fala, psicologia ou fisioterapia.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social (Fenacerci) explicou que o que está em causa é o modo de definição das necessidades de cada agrupamento escolar e a atribuição dos meios respetivos pelo Ministério da Educação e Ciência(MEC).

De acordo com Rogério Cação, os planos de ação que são desenhados pelas escolas, onde é apontado o número de alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) e, em função disso, o que cada escola precisa em termos humanos e técnicos para o novo ano escolar, não são aprovados pela tutela tal como são apresentados pelas escolas.

“O argumento é a falta de verbas. Pior do que isso é que é o próprio Ministério da Educação que diz que tipo de apoios é que vão ser autorizados e quem são os alunos que o vão ter”, adiantou.

Por outro lado, desconstrói o argumento da tutela de que aumentou o número de alunos apoiados, apontando que o aumento no número de alunos é feito à custa da diminuição dos apoios, que passaram a ter a duração de meia hora.

“Apoios de meia hora não fazem sentido nenhum, é brincar aos apoios, é iludir o que são as necessidades”, criticou, acrescentando que estes apoios não têm qualquer resultado prático do ponto de vista da intervenção terapêutica.

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