Ácidos gordos ómega 3 influenciam concentração e aprendizagem das crianças

Níveis elevados estão associados a melhores capacidade de leitura e memória, assim como menos problemas de comportamento.

A capacidade de concentração e de aprendizagem das crianças são influenciadas pelos níveis sanguíneos de ácidos gordos ómega 3 presentes nomeadamente no peixe, sugere um estudo publicado online na revista PLOS One.

 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, contaram com a participação de 493 crianças que tinham entre sete a nove anos, cujas capacidades de leitura se encontravam abaixo da média. De acordo com os pais destas crianças, cerca de nove em 10 ingeria peixe menos de duas vezes por semana, e cerca de um em cada dez nunca consumia este tipo de alimento.

 

Após terem analisado o sangue dos participantes, os investigadores constataram que, em média, menos 2 por cento dos ácidos gordos das crianças eram ácidos gordos ómega 3 DHA e 0,5 por cento eram ácidos gordos ómega 3 EPA, ou seja um total de cerca de 2,45 por cento de ácido gordos ómega 3 de cadeia longa. Estes são resultados abaixo dos 4 por cento recomendados pelos investigadores de forma a manter a saúde cardiovascular dos adultos e dos 8 a 12 por cento tendo em conta uma saúde cardíaca ótima.

 

Os investigadores referem que, tendo por base nesta amostra, foi verificado que os níveis de ácido gordos ómega 3 sanguíneo eram capazes de prever o comportamento, bem como a capacidade de aprendizagem das crianças. Níveis elevados destes ácidos, particularmente o de DHA, foram associados a melhores capacidade de leitura e memória, assim como menos problemas de comportamento apontados pelos professores e pais.

 

«Não podemos saber quais são as implicações que, a longo prazo, os níveis baixos de ácidos gordos ómega 3 têm. Contudo, este estudo sugere que provavelmente as crianças não estão a ingerir quantidades suficientes destes ácidos, necessários para a saúde do cérebro, coração e sistema imunitário», revelou, em comunicado de imprensa, o coautor do estudo, Alex Richardson.

 

Estas descobertas são uma continuação dos resultados obtidos anteriormente pela mesma equipa de investigadores, que demonstraram que a ingestão de suplementos de ácidos gordos ómega 3 de cadeia longa era benéfica para as crianças com dislexia, dispraxia, e transtorno do défice de atenção com hiperatividade, bem como outras condições relacionadas. Agora, estes resultados foram estendidos à população escolar geral.

 

Os ácidos gordos de cadeia longa, o ácido eicosapentaenóico (EPA) e o ácido docosahexaenóico (DHA), encontrados no peixe, marisco e em algumas algas, são essenciais para a estrutura e função cerebral assim como para a manutenção da saúde cardíaca e do sistema imunitário. Deste modo recomenda-se a ingestão de peixe pelo menos duas vezes por semana, uma vez, que tal como as vitaminas, os ácidos gordos ómega 3 são provenientes da dieta.

 

 

Maria João Pratt

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