Sabia que há um gás que alivia o trabalho de parto?

A experiência do nascimento de uma criança traz consigo a alegria e um momento que os pais querem recordar. Contudo a altura do parto também acarreta consigo o desconforto e dor, sendo por isso essencial que as grávidas saibam quais os métodos de analgesia que têm à sua disposição. As explicações são da médica Filipa Lança.

O Protóxido de Azoto é um gás com propriedades analgésicas e utilizado, há mais de um século, como complemento da anestesia em muitos tipos de cirurgias diferentes. É um gás incolor, não inflamável, pouco tóxico e de sabor e odor ligeiramente adocicado. É também chamado de “gás hilariante” ou “gás do riso” porque provoca uma sensação de bem-estar e é geralmente administrado como uma mistura de 50 por cento de protóxido de azoto com 50 por cento de oxigénio, para impedir que surja hipoxemia (fornecimento inadequado de oxigénio).

O Protóxido de Azoto é, portanto, um "velho amigo" dos anestesiologistas tendo sido amplamente estudado. E a sua utilização na analgesia do trabalho de parto (ATP) também não é nenhuma novidade. De facto, este gás começou a ser utilizado para retirar a dor às grávidas, durante o parto, ainda no século XIX.

Atualmente, no Reino Unido, na Escandinávia e Australásia, a inalação intermitente de Protóxido de Azoto continua popular, mas na América do Norte e na Europa Continental, nomeadamente em Portugal, a sua utilização é rara. A auto-administração inalatória deste gás constitui um método analgésico simples e seguro, não requerendo, na maior parte dos casos, supervisão médica.

De acordo com dados da Associação Internacional para o Estudo da Dor, mais de 95% das mulheres relatam dor durante o parto.

Atualmente, as técnicas loco-regionais (epidural e sequencial) representam o “gold-standard” da ATP, mas nem sempre estão indicadas, disponíveis ou desejadas. E além disso, existem grávidas que desejam ter um parto o mais próximo possível do natural, em que a dor seja perfeitamente controlada por elas, sentindo-a em menor ou maior intensidade ao longo de todo o trabalho de parto. O protóxido de azoto não tem a eficácia da epidural no controlo da dor, mas permite que a grávida possa fazer opções, várias e diferentes, naquele momento que é tão especial.

Sem efeitos secundários

Este gás tem um efeito analgésico máximo atingido em 30 a 60 segundos e é eliminado facilmente assim que cessa a sua utilização, sem efeitos secundários duradouros para a mãe, para o feto ou para a progressão do trabalho de parto. Se a grávida não estiver satisfeita com o resultado ou não tolerar os efeitos secundários (mais comuns são a sonolência, náuseas e vómitos) pode interromper, a qualquer momento, a sua administração e em cerca de cinco minutos o fármaco está completamente eliminado do seu organismo. Depois pode optar por outra forma de analgesia.

Como é administrado este gás misturado em 50% com o oxigénio? De um modo extremamente fácil. Quando começa a contração, a grávida deve iniciar a auto-inalação da mistura gasosa, através de um dispositivo (máscara ou bucal), com inspirações profundas e regulares, até ao fim da contração ou dor.

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