«O ensino diferenciado deve ser visto como um investimento que pode ser transversal à sociedade»

Entrevista com Josep Barnils sobre os desafios do modelo de Educação Diferenciada.

O IV Congresso Internacional de Educação Diferenciada, organizado pela Associação Europeia para a Educação Diferenciada (EASSE, sigla em inglês), realizou-se na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa nos passados dias 19 e 20 de abril.

 

Josep Barnils, um dos oradores da conferência e atual presidente da EASSE, respondeu a algumas perguntas sobre Educação Diferenciada, uma das formas de organização da escola que pretende possibilitar o desenvolvimento, em sala de aula, da educação personalizada recorrendo à divisão entre géneros.

 

O que é o Modelo de Educação Diferenciada?

A educação diferenciada foca-se nos aspetos distintos da educação de rapazes e raparigas. Estamos a falar em grupos distintos, que têm características distintas, formas de pensar e interesses diferentes, e há que tratá-los e educá-los de formas distintas em casa, na escola e na sociedade. Esta afirmação não pretende referir que uns são melhores do que outros; simplesmente são distintos, não só fisiologicamente, mas em múltiplos aspetos.

 

Quais são as vantagens deste modelo de educação? E as desvantagens?

Há cerca de três anos a UNESCO publicou um documento onde referiu que devia haver educação personalizada, tratando cada pessoa de acordo com a sua forma de ser, as suas características, as suas necessidades e limitações. A educação diferenciada torna o processo mais fácil. Estando rapazes e raparigas separados é mais fácil tratá-los de formas distintas. Há ritmos de aprendizagem e de maturidade diferentes; crescem, por isso, também com ritmos distintos, caraterísticas que nos permitem compreender que somos iguais, mas, naturalmente, com diferenças.

 

Em que idades seria adequada a educação diferenciada?

Embora nem todos os especialistas estejam de acordo, na minha opinião, o que coincide com a da maioria dos estudiosos, a melhor idade é 6-18 anos. Ou seja, desde ensino primário até à conclusão do secundário.

 

O ensino diferenciado é adequado a todos? Em todo o mundo e em todas as culturas há educação diferenciada. Em todo o mundo os rapazes e raparigas são diferentes, e é igualmente aplicável este tipo de ensino. O ensino diferenciado deve ser visto como um investimento que pode ser transversal à sociedade. Um dos objetivos primordiais do ensino diferenciado é ensinar hoje os jovens e formá-los para serem melhores pessoas sempre, transmitindo valores que vão para além do critério académico.

 

As taxas de sucesso escolar são diferentes para rapazes e raparigas?

Em geral, o êxito escolar é melhor nos colégios de educação diferenciada do que nos colégios mistos. As raparigas normalmente conseguem melhores resultados face aos rapazes até aos 18 anos. Segundo um estudo da Universidade da Pensilvânia (EUA), as escolas de raparigas em Seul (Coreia do Sul) são as que têm maior sucesso, seguida das de rapazes e, por fim, as escolas mistas.

 

 

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