Educação pela negativa corta a criatividade

O ensino com e através da criatividade é vital e muito importante, se desejamos uma boa vida para todos os que nos rodeiam. Um texto de Isabel Leal.

O mundo necessita cada vez mais e mais de criatividade compassiva para que sejam resolvidos os problemas com que somos confrontamos no dia a dia. A criatividade e as pessoas criativas podem não ter sempre todas as respostas, mas colocam em causa e questionam as situações e pensam em alternativas e melhorias. Descobrem e desenvolvem possíveis respostas. Habitualmente, colocam questões pertinentes, de qualidade e interesse para todos. São otimistas e combinam a criatividade com a compaixão e a empatia, para que o resultado seja pleno de força positiva e boa.

O ensino com e através da criatividade é vital e muito importante, se desejamos uma boa vida para todos os que nos rodeiam. A criatividade é geralmente vista como uma característica ou disposição inata, na verdade todos temos este princípio, resta desenvolvê-lo. Muitos pais e professores desacreditam que tal seja verdade. Têm por hábito ver a criatividade como um dom artístico, material e palpável. Na realidade, as boas ideias para resolver problemas ou conduzir a vida de modo saudável e harmonioso também se servem da criatividade. Ensinar a criança que a criatividade está presente e como a desenvolver, oferece em paralelo um bónus interessante, ou seja o desenvolvimento da autoestima, auto afirmação é um poder da pessoa. Se a criança cresce com sentimento de poder pessoal, rapidamente percebe o seu potencial inato e criado pelas matérias da escola, entende as suas melhores características inatas e desenvolvidas e  firma com coragem e certeza do que quer fazer. É uma criança destemida, valente, confiante e que quer aprender, desenvolvendo a cada dia mais e mais valências e participando em experiências de aprendizagem sem medo ou recusa.

Felizmente, o conceito está a mudar, mas em muitos locais do mundo a cultura de ensino e desenvolvimento apoia-se em bases negativas, de repetitividade, coação ou autoridade. Se as crianças crescem num ambiente altamente controlador, cheio de proibições e pressões é natural que as crianças retardem as suas características inatas, nomeadamente a expansão de criatividade. As tendências naturais da idade, como a aventura,  a espontaneidade e as experiências tornam-se suprimidas e apagadas.

Algumas crianças mais hiperativas ou de carácter mais vincado resistem a esta educação restritiva e controladora, mas cedo serão apontadas como crianças problema. Tragicamente muitas crianças, por medo ou respeito à autoridade imposta acomodam-se e nunca desenvolvem o seu mais alto potencial. Aceitam tudo o que lhes é dito como verdade, aceitam todas as situações e, ao final de alguns anos, verificam o quanto este ambiente os levou a escolhas e opções de vida completamente afastadas da vontade dessas almas. O equilíbrio é necessário, a metodologia educacional, quer em casa quer na escola, deve abrir, reformular e aceitar novos rumos.

A criatividade oferece boa disposição, abre a mente, aceita a diferença e promove a apreciação individual e grupal. A criatividade deve ser, do meu ponto de vista, transversal a todos os itens da educação da criança e do jovem, seja pela mão dos pais e em família, seja através dos professores e na escola. Quem fala, ensina e pode fazê-lo de várias maneiras. Com a criatividade incluída, tudo fica mais leve e mais positivo e assim perto da natureza da criança. Esta é a diferença que faz oferecer o nosso tempo com qualidade e conteúdo, seja em que situação ou profissão. Cada pedido que uma criança faz, cada momento que se comporta de um modo diferente que não estamos preparados para receber, cada dificuldade que um jovem apresenta e não realiza o que lhe é pedido é sempre um desafio à nossa criatividade.

As limitações abrem a porta à criatividade, e uma das melhores maneiras de ultrapassar a questão é com boa disposição. Os limites são um reino onde cada um pode operar, mas também encarar como um desafio a ser ultrapassado com criatividade, seja uma dificuldade criança, jovem ou adulta. Podemos copiar e seguir estratégias já expostas por aqueles que tiveram dificuldades e as ultrapassaram com criatividade, ou podemos utilizar o nosso caminho mais pessoal. E que alegria será a transformação e as soluçõesa apresentadas.

artigo do parceiro: Isabel Leal

Comentários