Dos 12 aos 36 meses: Chupetas

O seu bebé não passa sem elas? Conheça as vantagens e desvantagens.

Há quem as adore, há quem as deteste, mas as mulheres usam este tipo de objectos calmantes há séculos, usando-os para acalmar e sossegar bebés e, por vezes, também crianças mais velhas. Enquanto algumas mães sentem que não conseguiriam sobreviver até ao final do dia sem dar ao bebé uma chupeta, outras mães e alguns profissionais de saúde reprovam fortemente a sua utilização. O debate em torno do uso da chupeta dura há já uma série de anos e permanece um tema em que os pais continuam a receber conselhos contraditórios.

O que são as chupetas?

No passado, para acalmar os bebés, usava-se qualquer objecto em que os bebés pudessem chuchar em segurança – por exemplo, anéis de dentição ou chocalhos com arestas arredondadas. Hoje em dia, este objecto desenvolveu-se e surge sob a forma de uma tetina standard de silicone ou borracha com uma protecção à volta da boca e uma pega em plástico ou silicone. As tetinas de látex são mais macias e mais flexíveis do que as de silicone, mas são menos duradouras. As chupetas modernas são seguras – e são facilmente esterilizáveis, sendo que a protecção da boca impede que o bebé se engasgue ou engula a tetina.

Quantos pais usam chupeta?

Muitos pais usam chupetas para reconfortar as crianças. O estudo Avon Longitudinal Stu concluiu que dois terços das mães incluídas na amostra de 10.950 indivíduos tinham usado uma chupeta em alguma altura. O estudo perguntava especificamente às mães se os seus bebés usavam chupeta às quatro semanas e, novamente, aos seis meses. Metade das mães informou que usavam chupeta aos seis meses e a maioria indicou ter usado logo às quatro semanas.

Quando é que esses pais usam as chupetas?

O período de maior utilização da chupeta é aos 2-3 meses de vida do bebé. Dois estudos determinaram que os pais usarão mais provavelmente a chupeta com o primeiro filho e se se tratar de um rapaz.

Vantagens da chupeta

A principal vantagem para os pais e para quem tem crianças a cargo é que a chupeta permite acalmar o bebé ou ajudá-lo a adormecer. Chuchar numa chupeta pode aliviar a dor, sendo esta uma das principais razões para os pais darem uma chupeta ao bebé quando este tem cólicas ou está inconsolável por algum motivo.

A sucção numa chupeta tem o dom de realmente ajudar os bebés prematuros. Estudos demonstraram que os bebés prematuros são mais rapidamente transferidos da alimentação com tubo para o biberão e que conseguem uma alimentação mais eficaz com o biberão se receberem uma chupeta para chuchar antes de beber o leite. No caso dos bebés pré-termo, a utilização de uma chupeta pode ser útil em internamentos breves no hospital.

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Desvantagens da chupeta

• Maior probabilidade de infecções nos ouvidos – está comprovada a relação entre a utilização prolongada da chupeta e infecções no ouvido médio. Esta situação pode ser explicada em parte por outras circunstâncias na vida do bebé que estão igualmente associadas a problemas de saúde, como habitação precária e baixos rendimentos. Contudo, permanece uma ligação causal entre o uso da chupeta e as infecções nos ouvidos – pensa-se que a sucção numa chupeta aumenta a probabilidade de transferência da infecção da boca para a trompa de Eustáquio (a passagem de ar que liga o ouvido médio à parte de trás da garganta). Tente usar a chupeta apenas para acalmar o bebé, a fim de evitar este tipo de problemas.

• Associação a infecções gástricas e outras – o uso da chupeta foi associado a um maior risco de sintomas como vómitos, febre, diarreia e cólicas.

• O uso da chupeta a longo prazo pode dar origem a problemas dentários – a British Dental Health Foundation recomenda que as crianças não sejam incentivadas a usar a chupeta ou a chuchar no polegar, dado que ambos podem dar origem a problemas durante o crescimento e desenvolvimento dos dentes, em especial se a criança ainda os usar como calmantes quando começar a nascer a dentição definitiva. Para corrigir estes problemas, a criança poderá necessitar de usar um aparelho dentário temporário ou fixo durante um ou dois anos quando for mais velha.

• Problemas na fala – o uso da chupeta impede os bebés de palrar, um passo importante na aprendizagem da fala, desincentivando os bebés mais velhos da conversa de que necessitam para desenvolver as competências de linguagem.

• O uso diário da chupeta interfere na amamentação – existem fortes indícios de que os bebés que usam chupeta deixam de mamar mais cedo do que aqueles que não usam chupeta diariamente. Um estudo concluiu igualmente que as mães dos bebés que usam chupeta conseguem amamentar em exclusivo durante menos tempo ou referem falta de leite quando o bebé tinha pelo menos um mês de vida.

O uso de chupetas e a sua relação causal com o facto de algumas mulheres desistirem da amamentação é uma questão controversa. Alguns argumentam que as mães usam chupetas porque estão a deparar-se com problemas na amamentação ou porque, na realidade, não querem amamentar. Outra linha teórica defende que os bebés têm dificuldade em transitar da sucção na chupeta ou tetina artificial para a sucção no mamilo – designado por vezes por “confusão de mamilos”. Outros acreditam que a sucção numa chupeta em vez do mamilo leva a uma falta de estimulação da produção de prolactina pelo peito, conduzindo por sua vez a uma menor produção de leite. As mulheres que desistem da amamentação nos primeiros seis meses referem frequentemente que a causa é a “falta de leite”.

Independentemente do motivo, o uso diário da chupeta está associado à interrupção da amamentação antes de o bebé atingir os três meses de idade. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que todos os bebés sejam amamentados em exclusivo durante os primeiros seis meses devido aos enormes benefícios do leite materno. Por conseguinte, tanto a OMS como o Fundo das Nações Unidas para a Infância desaconselham fortemente o uso da chupeta.

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