Todas as dúvidas sobre a fenda lábio-palatina no primeiro ano de vida

É das mais frequentes malformações congénitas do ser humano e a mais frequente da face. Ocorre uma vez em cada 700 nascimentos, e, em Portugal, estima-se que nasçam cerca de 130 a 150 crianças, por ano, portadoras de uma forma desta malformação. No mundo inteiro nasce uma a cada dois minutos e meio.

O que é uma fenda?

Sumariamente é uma abertura numa região anatómica que deveria ser integra. Assim, uma fenda labial é uma abertura que torna o lábio uma estrutura descontínua e uma fenda palatina é uma abertura no céu da boca que permite a comunicação da cavidade bucal com a cavidade nasal, uma vez que o palato (céu da boca) é, simultaneamente o "tecto" da boca e o "soalho" do nariz.

Como e quando ocorre? 

A face forma-se a partir da união de vários “elementos” oro-faciais, o que acontece entre a 4ª e a 12ª semanas de gestação. Quando, por qualquer motivo, algo “perturba” este mecanismo de fusão, a fenda pode ocorrer.

Como se manifesta?

Existem muitas "variantes" de fenda lábio-palatina. Isto levou a que nós, médicos, também por motivos didáticos, as tentássemos classificar.

Embora este não seja um tema pacífico, pois existem múltiplas classificações, nós adotámos a Classificação de Spina, cirurgião brasileiro que se dedicou a  corrigir esta malformação e que se baseia em critérios anatomo-embriológicos.

Assim, temos como referência o buraco (ou foramen) incisivo, que, não é mais do que um orifício que existe no osso maxilar e é o que resulta da fusão dos três segmentos que vão formar o osso maxilar superior.

Dividimos as fendas em três grupos principais:

Grupo I – Fendas que ocorrem para a frente do buraco incisivo designadas por fendas labiais ou lábio-alveolares. Podem ser completas ou incompletas, uni, bilaterais ou medianas.

Grupo II – Fendas que ocorrem para a frente e para trás do buraco incisivo, designadas por fendas lábio-palatinas. Podem ser completas, incompletas (muito raras), uni, bilaterais ou medianas (Fig.5)

Grupo III – Fendas que ocorrem para trás do buraco incisivo, conhecidas como fendas palatinas. Envolvem apenas o palato e podem ser completas ou incompletas, conforme abranjam todo o céu da boca ou apenas a parte mais posterior(Fig.6)

Grupo IV - No qual se inserem situações de fendas faciais que, felizmente, são muito raras.

Tratando-se de malformações, em muitos casos, desfigurantes, provoca, desde logo, um efeito emocional profundo nos pais e compromete seriamente o bem estar físico e psicológico da criança: a sucção torna-se difícil e, por vezes, é necessário encontrar formas alternativas para a alimentar; o mecanismo da deglutição está alterado; o fluxo de ar, através da fenda, seca as mucosas, facilitando as infeções que se estendem ao ouvido e que, quando não tratadas atempadamente, levam a perdas de audição; a erupção dentária é anómala; a fala está seriamente comprometida; muitas vezes, são necessárias múltiplas intervenções cirúrgicas.

Por tudo isto, e pela complexidade que esta malformação pode apresentar, chegou-se à conclusão que seria necessário uma equipa, com profissionais de várias áreas, para tratar estes pacientes.

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