Mães, migalhas, galinhas

Nota prévia: qualquer semelhança entre o texto que se segue e a realidade não é mera coincidência. É uma coisa chamada vida real.

Há umas semanas, no café mais abrangente e democrático do mundo - o Facebook -, uma amiga pedia ajuda a mães mais experientes acerca de técnicas para esmigalhar bolachas Maria para pôr nos iogurtes do filho. Queria conhecer uma técnica mais rápida do que o clássico desfazer as bolachas à mão.

 

No que toca a sugestões e ideias, houve de tudo: usar a Bimby, picadoras, partir à mão, passadores de leite e almofarizes, sacos de plástico e rolos da massa.

 

A conversa derivou para a sujidade produzida por gente que está a aprender a comer (e a ser gente, no geral) e chegou ao ponto essencial: uma mãe sugeriu que se normalize a existência de galinhas em apartamentos de pais recentes.

 

Óptimos aspiradores de resquícios de comida, óptimos neutralizadores de espalhafato (ignorando, obviamente, todos os danos colaterais patrocinados por galináceos, desde ovos a dejetos). E é isto.

 

Ser mãe também é isto: partilhar conhecimento, dar sugestões e atirar disparates vários. A mim soa-me sempre a maternidade saudável.

 

Embora possa parecer exactamente o oposto, mães que, mesmo no meio do caos que tende a ser a vida com um bebé por perto, conseguem brincar e não se levam demasiado a sério são, para mim, sinónimo de uma maternidade com espaço para tudo: para ser-se sério e para brincar, para as preocupações e para a descontracção.

 

É um bocadinho ver a coisa segundo a máxima “always look on the bright side of life”. Eu gosto!

 

Lénia Rufino

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