Paulo Pires

Entrevista com Paulo Pires É um dos actores mais carismáticos da sua geração. No entanto, gosta de fazer as coisas discretamente, na carreira e na vida. Casado com a belíssima ex-modelo e psicóloga Astrid Werdnig, é pai de Chloe, de seis anos, que adora dançar. Um dia destes revelou a SapoFama os seus prazeres, sonhos e também o que o comove.

"Anjo Meu" é o seu regresso às produções da TVI. Já perdeu a conta às novelas que protagonizou?
Curiosamente não são assim tantas como parece. Ultimamente sim, fiz algumas seguidas: antes de "Anjo Meu" fiz "Meu Amor", "Olhos nos Olhos" e "Deixa-me Amar", isto é, estas quatro novelas são mais do que eu tinha feito antes. Mas gosto de fazer novelas. Também participou em séries, daí a sua presença quase permanente na televisão.
Isso sim. Fiz "Jornalistas", "Ana e os Sete", Até Amanhã Camaradas", entre outras. Quando fez o filme "Cinco Dias Cinco Noites", em 1996, escrito por Álvaro Cunhal, imaginava que o desfecho ia ser este?
Não. O Vítor Norte, que fazia o filme comigo, um dia disse-me que a partir dali nunca mais ia parar. E eu respondi-lhe que achava que não. Que ia continuar a trabalhar como modelo mais alguns anos e, pontualmente, iria fazer algumas participações em cinema. E ele insistia: «Qualquer dia estás a fazer teatro.» E não se enganou...
É verdade. Fiz teatro logo a seguir ao filme. Ele acertou! De facto, o futuro é sempre muito imprevisível e eu nunca consigo traçar projectos a longo prazo. Mesmo assim tem feito uma carreira diversificadíssima no teatro, televisão, cinema, apresentação...
Tenho procurado diversificar ao máximo o meu trabalho. De uma forma geral, não gosto de repetir trabalhos. Ou seja, não gosto de sair de uma telenovela para a seguir entrar logo noutra. Por isso, procuro, sempre que é possível, e mediante os projectos que aparecem, entrar em projectos diferentes. Para aprender?
É mais enriquecedor e aprende-se mais assim. Para além de quebrar a rotina e a dureza, porque os trabalhos têm durezas diferentes. Todos eles são trabalhos e trabalhar cansa, embora dê muito prazer... Até os horários são diferentes.
O ritmo da novela é acordar cedo, gravar não sei quantas horas e estudar à noite; o teatro já é diferente, já é trabalhar à noite e dormir de manhã. Eu gosto disto, não só pelos ciclos de trabalho, mas principalmente pela aprendizagem. Gosta igualmente dos três registos: teatro, televisão e cinema?
Gosto, mas adoro cinema. Se pudesse delinear a minha carreira como eu gostaria que ela fosse, fazia um bocadinho menos de novela, fazia uma peça de teatro e dois filmes por ano. Mas continuaria a fazer novela?
Claro que sim. A novela tem uma coisa interessante que é o facto de nos obrigar a uma resposta rápida. Nós fazemos praticamente um episódio por dia e por isso é preciso ser muito rápido nas decisões e nos caminhos que se escolhem. Acaba por ser uma boa escola. E os outros formatos?
O cinema é maravilhoso porque é uma obra eterna, é feito sob o ponto de vista artístico, logo, é uma obra mais cuidada. O teatro tem o lado maravilhoso de podermos ter o feedback imediato do espectador, que todas as noites está a receber e está a dar...   Começou tudo tarde: foi modelo depois dos 20 anos e actor quase aos 30. Acaba por ser bom: sabe-se melhor o que se quer, deslumbra menos...
Estava a acabar de cumprir o serviço militar obrigatório quando fiz o meu primeiro trabalho como modelo, um catálogo e um desfile para o Mário Matos Ribeiro e a Eduarda Abbondanza. De facto, começar tarde tem essa vantagem: deslumbra menos! Mas tenho pena de não ter começado tudo mais cedo. Fez uma despedida das passarelas em grande, num desfile gigantesco em São Paulo.
Foi uma decisão minha e da minha agência, a Central Models, despedi-me lá mas não tornei isso público na altura, porque não lhe quis atribuir nenhum peso, e também porque gosto de fazer as coisas de uma forma mais discreta. O mesmo aconteceu quando fui trabalhar como actor para Espanha. Algum receio que as coisas não corressem bem?
De facto não sabia muito bem o que ia acontecer, hoje penso que foi um disparate. Tem trabalhado permanentemente em Espanha. Esteve a trabalhar lá até agora...
Acabei um telefilme. O que fiz em Espanha foi televisão e sempre série. Só agora é que foi um telefilme. Fala sempre em castelhano?
Sim. Até os espanhóis me perguntam como aprendi a língua e não lhes sei responder. Sempre gostei do castelhano, é uma língua que está muito próxima da nossa, e desde miúdo que me habituei a ir com a minha família a Espanha. No entanto, o melhor treino talvez tenha sido com as duas namoradas espanholas que tive antes de conhecer a Astrid. Até foi apresentador de televisão. Apresentou o Mundo Vip com a Filipa Garnel, na SIC.
E apresentei a Academia de Famosos com a Fernanda Serrano, na TVI, um formato um bocadinho assustador, porque era em directo, com imensa gente no estúdio, mas foi muito giro. Quando recordo esses trabalhos tenho boas memórias e até saudades. Talvez por isso, ainda aceito apresentar alguns eventos e gosto cada vez mais. O papel de pai da Chloe é muito difícil?
É um papel de grande responsabilidade. Quando estamos a educar uma criança nunca sabemos se estamos a fazer o certo. Temos de dar amor, mas também temos de educar e isso é muito difícil! O que é um bom programa para fazerem os três?
Gostamos muito de passear e ir à descoberta de um sítio novo no meio da natureza. A Chloe já anda de bicicleta sem rodinhas, e este fim-de-semana, no Algarve, demos a nossa maior volta de bicicleta de sempre. Esses passeios têm sempre máquina fotográfica?
Também. Fotografar é um dos meus hobbies, o outro é a guitarra. Mas, apesar de não me considerar grande fotógrafo, acho que tiro melhor fotografias do que toco guitarra. A sua filha tem alguma queda pela representação? Faz teatrinhos na escola?
Não sei se é pela representação, mas gosta muito de dançar. E diverte-se muito a ver filmes com meninas a dançar. A Chloe ainda é muito pequenina para revelar alguma vocação, só tem seis anos... O que o comove?
Comove-me aquilo que se passou no Japão, e comove-me a força de certas pessoas. Da mesma forma que me comovem as pessoas que são vítimas de alguma coisa, quer seja uma catástrofe natural ou uma violência individual, comove-me também o altruísmo de certas pessoas. O que lhe arranca uma gargalhada?
As coisas mais inesperadas e o sentido de humor da minha filha que é muito engraçado. Está bem com a vida?
Estou. Gosto muito de viver, sou um inconformado e alguém que está sempre à procura de mais qualquer coisa a todos os níveis, mas sinto-me muito bem com vida!

artigo do parceiro: Top Fama

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