Nuno Norte fala da dependência das drogas, que durou até aos 'Ídolos'

O artista foi o mais recente entrevistado de Daniel Oliveira, no programa ‘Alta Definição’, da SIC.

Aos 40 anos, Nuno Norte abre-se, sem preconceitos, para falar do seu passado obscuro no mais recente 'Alta Definição', da SIC. Antes de entrar no programa 'Ídolos', em 2003, o artista foi toxicodependente e foi quando entrou no programa da SIC que conseguiu deixar de ser, definitivamente, dependente das drogas.

Aos 19 anos foi pai. Na altura casou-se e deixou de tocar para ir trabalhar noutras áreas. Os seus sonhos ficaram de lado pelo filho e, a dada altura, percebeu que tinha deixado de lutar por algo que “não ia avançar”. Recomeçou do zero e foi-se completamente a baixo.

Afastou-se de todos e começou a consumir das drogas. “Deixei de trabalhar e virei-me para a música outra vez. No fim de semana, ainda não tinha recebido e precisava de dinheiro, decidi ir para rua tentar fazer algum dinheiro para puder ir almoçar e tal. Descobri que consegui fazer mais dinheiro na rua do que a trabalhar onde estava a trabalhar. Então a partir daí comecei a ir para a rua”, conta.

Nesse momento, houve muitas pessoas que se “afastaram” de si por causa de tocar na rua, porque “era uma má imagem”.

“Na altura nós não éramos artista de rua. Hoje em dia passam por um artista de rua e dão-lhe dinheiro, até fazem vídeos, tiram fotos. Na altura não, passam por mim e davam-me chutos na cara e diziam: ‘Vai trabalhar, vai cortar o cabelo’. E depois havia muita gente ali que andava à volta e que não eram das melhores pessoas deste mundo. Uma pessoa acaba por se levar por caminhos que não são os melhores. No meu caso foram drogas, que eu não devia ter me metido, mas meti-me. Posso ter sido influenciado por outras pessoas mas fui eu que me meti”, continua.

Para “tentar fugir dos problemas” Nuno Norte “começou a consumir heroína” para “adormecer de tudo”.

Sobre o consumo, o cantor recorda que nas primeiras vezes “é uma coisa fantástica”. “Parece que pode vir o mundo inteiro contra ti que tu estas de peito aberto e tens força para enfrentar toda a gente. Mas acho que, no fundo, bloqueia alguma coisa no cérebro que faz com que tu não tenhas medo, não tenhas respeito. É muito mau. Deixa-te invencível, mas no fundo não és nada e estás ali e pensas que és o maior, que fazes tudo e nada te afeta, quando não é verdade”, disse.

Segundo o cantor, chega a um ponto em que as pessoas que consomem este tipo de droga “acaba por viver só para aquilo”. “É uma droga que não vale a pena. Eu fumava, nuca injetei. Primeiro porque tenho um bocado de medo de agulhas, depois via o estado em que ficava só de fumar e via outras pessoas que injetavam e o estado deles era dez vezes pior. Acho que agarra mais ainda”.

Nuno Norte afirma que “tinha noção de como é que estava”, aliás, “qualquer toxicodependente que diga que não tem noção de como está, está a mentir”. “Os toxicodependentes a melhor coisa que fazem é mentir, principalmente para proveito próprio. Eu, infelizmente, menti a muita gente para proveito próprio, para poder ficar bem. Já nem era apanhar a moca, era ficar bem, normal, não ter dores, conseguir dormir…”, acrescenta.

Vendeu muitas coisas usadas, desde instrumentos a outros objetos, “só para ter dinheiro para aquilo”.

Sabia perfeitamente naquilo que estava metido e aquilo que me estava a fazer. Sabia que tinha que sair só que eu ainda não tinha decidido que tinha que sair. Sabia que estava a fazer mal a mim próprio mas eu já só estava ali só para me fazer bem”, confessa.

Nessa altura, a mãe estava em Espanha o que de certa forma foi “pior” nessa fase da sua vida, uma vez que não tinha ninguém que o “incentivasse a tentar largar aquilo”. No entanto, um dia a mãe decidiu ir buscá-lo e levá-lo consigo para Espanha, onde esteve durante cerca de dois anos e meio. Aí fez a sua primeira recuperação.

“Ela tinha um bar e eu fiquei lá a trabalhar com ela. Estive cerca de dois meses fechado em casa a curar-me a frio, sem medicação sem nada. Não aconselho a ninguém, é melhor meterem-se numa clínica, serem tratados. [A frio] são dores nos ossos, por dentro, é uma coisa que não dá para massajar, não dá para fazer nada. A única coisa que fazia era começar aos socos às pernas por aí sentes alguma coisa lá dentro. É a dor nos ossos e cólicas, que são terríveis. Só com banhos de água gelada é que conseguia acalmar um bocadinho e tomava uns cinco ou seis banhos desses por dia. Tomava também comprimidos para as dores, mas não eram os certos para aquilo”, lembra.

Mais tarde, regressou ao mundo das drogas e voltou a consumir. Só conseguiu curar-se definitivamente quando entrou para o programa ‘Ídolos’, aos 27 anos. Andava a tocar nas ruas de Lisboa quando recebeu um telefonema a dizer que tinha sido selecionado para um casting. Quem o inscreveu no programa foi a mãe.

“Não consumia tanta como já o tinha feito antes porque já tinha vindo de uma terceira cura, a frio, que foi a minha irmã que me ajudou, só que caí outra vez. […]", admite, dizendo que foi quando foi escolhido para os 30 finalistas que decidiu colocar um ponto final nas drogas. "Numa sexta-feira fui escolhido para os 30 finalista, numa segunda fui internado no hospital”, conta.

Viu os casting do programa no hospital e conseguiu recuperar por completo, apesar de ter-se ‘refugiado’ no álcool. Continuou no programa e, na altura, contou aos outros concorrentes o seu passado. Nesse ano, Nuno Norte foi o vencedor.

O cantor confessou que hoje lhe dizem que “é um grande maluco, drogado e bêbado”. Mas, na verdade, neste momento é um homem novo. Hoje, é “viciado em playstation, coca-cola, música, basquetebol, amor”. “Amar e ser amado. Em casa não tenho nenhuma garrafa de álcool, raramente saiu. Fumo cannabis de vez em quando, mas isso é algo que já faço desde os 13 anos”, assegura.

artigo do parceiro: NM

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