Entrevista a Carla Belchior

Apaixonada pela moda, fala com fascínio sobre A Outra Face da Lua, projecto que partilha com Nuno Lopes e João Galiza

Como descreve A Outra Face da Lua?

Bom, trata-se de um espaço eclético que vende roupa vintage e que tem um salão de chá que complementa o espírito da loja. Desde que estamos na Baixa, há sensivelmente cinco anos, eu, o João Galiza e o Nuno Lopes decidimos alargar o serviço de chá para refeições ligeiras, a pedido de muitos clientes.

Porquê a transição do Bairro Alto para a Baixa?

Na verdade há muito que essa ideia esta a ser pensada, pois precisávamos de alargar o espaço. Já não era suficiente para as nossas clientes e para o nosso stock. Escolhemos a Baixa porque era aqui que vínhamos fazer compras no antigamente e isso traz-nos boas recordações…recordações de um tempo emque não existiam centros comerciais.

Os clientes acompanharam-vos nesta mudança?

Sim, praticamente todos.

Todos ou todas?

É um facto que o nosso público-alvo são as mulheres. São elas que gostam de vintage, muito embora tenhamos uma secção infantil e outra para homens também.

Como descreve a mulher que vai à A Outra Face da Lua? É possível traçar um perfil?

Não é fácil, pois o único ponto em comum é gostarem de vintage. São pessoas interessadas na moda e que não apreciam a sua massificação, mulheres que gostam de ter uma identidade, um estilo próprio. Somos também muito procurados por turistas, aliás, são eles os grandes apreciadores desta “velha” Lisboa.

O que procuram concretamente as pessoas nestes espaços?

É como procurar um tesouro. Quem frequenta as lojas vintage nunca sabe o que vai encontrar. É tudo uma incógnita. A montra está sempre diferente, os produtos variam muito…é quase uma aventura.

A loja está sempre cheia de novidades. Onde é que a Carla vai buscar tanta roupa vintage?

Segredos de negócio… não posso revelar ( risos).

Mas sobre o Stock Sale podemos falar…

Claro que sim. Foi com grande surpresa que verificámos que o Stock Sale tem sido um sucesso desde o Bairro Alto. Recordo-me que no início tínhamos de fechar a loja três vezes por dia, pedir às clientes para saírem e repor o stock a correr. Foi uma excelente forma para escoar o produto e renovar o stock.

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E em tempo e crise dá jeito ter peças a menos de cinco euros…

Sim, dá imenso jeito. A crise tem-nos afectado a todos e não temos como fugir dela. No nosso caso estamos a trabalhar mais, sentimos isso, para ganhar o mesmo. O esforço está a ser feito, mas quem trabalha por gosto…

Nota-se que a Carla é uma apaixonada por vintage. Qual a sua década preferida?

Não tenho. Gosto de todas. Cada vez que exploramos uma década apaixono-me por ela. É como as cores. Gosto de todas, sem excepção.

E também customiza roupa..

Sm, aliás foi assim que tudo começou. Peguei em roupas antigas e fui retirando um pouco daqui e um pouco dali até criar peças praticamente novas. Sou uma apaixonada pela moda, apesar de ter tirado o curso de joalharia.

Veste sempre vintage?

Não, gosto sobretudo de pegar no vintage e dar-lhe um twist. Esse é o meu verdadeiro estilo.

Sendo um projecto tão sui generis não solicitaram apoios estatais?

Tentámos a ANJE, mas fecharam-nos logo a porta. Isso só nos deu mais força para avançarmos com as nossas ideias.

E projectos na manga?

Temos um que ainda não posso revelar, mas o SapoMulher será dos primeiros a saber…

artigo do parceiro: Nilza Rodrigues

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