Cuca Roseta em entrevista

A fadista fala sobre o seu segundo álbum lançado este mês

A jovem fadista lança agora  o seu segundo trabalho, depois de ter revelado os seus dotes num álbum que correu além fronteiras. Cuca Roseta, que sonhava ser psicóloga, descobriu o fado aos 18 anos e hoje faz dele a sua vida, a sua forma de estar e de transmitir o que lhe vai na alma. Raiz é o nome do seu novo trabalho "muito mais profundo do que o primeiro" conforme nos confessa em entrevista. 

Cuca Roseta acaba de lançar o seu segundo álbum. Como descreve este trabalho?

Bem, é um trabalho com um caminho muito bem definido, pois por ser o meu segundo disco procurei algo de novo e fui, propositadamente, por um ‘caminho’ diferente. Acabo por ser autora e compositora de muitas músicas, o que aconteceu naturalmente. Comecei a criar e…bem apareceu o ‘Raiz”.

Uma tarefa árdua…escrever e compor tudo já no seu segundo CD?

Sim, só não escrevi duas letras e não compus totalmente uma. O resto tem tudo o meu dedo.

Porquê dar o nome “Raiz”?

O primeiro álbum fala do fado enquanto procura da verdade e este é mais profundo, é mais ‘Cuca Roseta’. Há toda uma metáfora com a palavra raiz de ligação à natureza, de origem de tudo e de todos….

Reparei que os nomes das músicas começam todas por fado, exceto uma…porquê esta quase obsessão?

Porque não podia ser de outra forma. São todos fados, exceto um que é uma marcha. Fiz música a música e cada fado é um fado da minha vida. Cada história, cada palavra…e a Marcha da Felicidade por razões óbvias, porque é uma marcha. Nunca poderia chamá-la de fado.

Esta paixão tão grande pelo fado e no entanto não é algo que vem da sua infância. O que queria ser quando ‘fosse grande’?

Nem cantora, nem fadista, de certeza. Queria ser psicóloga. Sempre cantei em vários lugares porque me divertia e sempre ganhava algum dinheiro enquanto estudava. Um dia, já com 18 anos, fui ouvir fado ao vivo e o bichinho entrou na minha vida. A partir daí sempre que tinha uma oportunidade, lá ia eu cantar o fado….

Até que?

Até que comecei a pensar que podia dedicar-me seriamente ao fado quando me começaram a falar nessa perspetiva, porque eu na realidade sempre achei que a vida de um cantor é muito instável. Mas o Gustava Santaolalla fez-me uma proposta e praticamente fui puxada pelo fado, pois sempre encarei o cantar como um hobby.

E fadistas que a tenham inspirado?

Amália, sempre a Amália, e da nova geração Ana Moura.

É uma jovem fadista. Acha que a sua geração já ouve fado?

Os novos fadistas deram um novo alento ao fado. Escrevem outro tipo de letra, falam a linguagem dos mais novos, tocam no seu sentir, nas suas emoções e acabam por envolver a nova geração.

Tem cantado além-fronteiras. É possível entender o fado sem perceber a sua letra?

Tenho atuado na Polónia, Venezuela, Espanha e tantos outros países e noto que todos conseguem sentir a emoção do fado, a interação da alma é muito universal, porque conseguimos passar a mensagem para qualquer língua. Tenho tido sala cheia no estrangeiro e nem sempre é para s comunidades portuguesas, por isso…

É uma mulher vaidosa?

Mais ou menos. Tenho muito respeito pelo corpo, pela natureza em si da nossa existência, mas não vou além disso.

E cuidados para manter a linha?

Pratico muito desporto, porque gosto, não propriamente para manter a linha. Pratico taekondo desde muito cedo, onde sou cinturão preto

E hobbies, agora que o fado deixou de o ser?

Adoro pintar quadros e, neste momento, estou a aprender piano.

Um sonho bem guardado?

Vou vivendo um dia de cada vez. O meu sonho é ir cumprindo a minha missão na terra, poder cantar, porque quem tem um dom devo aproveitá-lo para partilhar, é uma responsabilidade acrescida fazer os outros felizes.

E nesta altura, com tanta crise e tantas necessidades, ainda mais. Alguma mensagem para a sua geração?

Gostava de lhes dar uma mensagem de esperança e que não percam o instinto de ir em frente e lutarem pelo que querem. Vejo o país com um astral muito baixo e pouca autoestima, as pessoas estão a fechar-se.

Por último, qual o seu fado preferido?

São todos. Não me peça para escolher…não sei, talvez o Fado do Silêncio que é sobre Lisboa, para mim, a cidade mais bonita do Mundo.

artigo do parceiro: Nilza Rodrigues

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