Milão, a Itália no seu melhor

Em qualquer outro país do mundo, Milão seria a cidade com mais turismo. O “problema” é que a sorte ditou que as suas concorrentes por essa posição fossem Roma, Veneza, Florença, Nápoles…

A concorrência desleal destas cidades ímpares faz com que a cidade dos Sforza acabe por não ser aquela que atrai mais visitantes, mas ainda assim Milão tem pontos de interesse mais que suficientes para justificar uma visita, aliás, justifica se calhar uma visita anual, tal é a renovação cíclica das suas riquezas não patrimoniais, a cultura, a moda, compras. É por isso provavelmente a mais viva de todas as cidades italianas, e uma das mais atraentes do mundo moderno, e isso apesar de ter relíquias históricas de valor universal, como a “Última Ceia” de Leonardo da Vinci, que se encontra na igreja de Santa Maria della Grazie.

A transversalidade de Milão sente-se de forma concentrada no seu centro histórico, que é também o centro cultural, financeiro e da moda em Itália. O ponto central da cidade é a Piazza del Duomo, assim chamada por nela se encontrar a monumental Catedral com o mesmo nome.

O Duomo é por si só motivo para visitar a cidade, por ser uma das mais extraordinárias construções do homem, e a quinta maior igreja do mundo. A catedral começou a ser erguida em 1386 e demorou 600 anos a terminar, tendo só em 1965 sido inaugurada a última parte. Para além do seu interior, vale a pena subir ao telhado, que pode ser visitado na sua quase totalidade. A visita vale pela vista da cidade e também por permitir ver algumas das cerca de

3400 estátuas da catedral, as mais impressionantes das quais encimam pináculos esguios que desafiam a gravidade. É seguramente uma das experiências arquitectónicas mais fascinantes que há.

Perto do Duomo fica o mítico Teatro alla Scala, a Meca da ópera, onde ainda se sentem os ecos das vozes celestiais de Caruso, Callas Verdi teve uma relação de amor/ódio com o La Scala, tendo ali exibido várias “premiéres” de obras suas mas tendo também a certa altura proibido que as lá fossem tocadas porque considerou que a osquestra as alterava em relação ao original. Mas tudo acabou em paz e as suas duas últimas óperas, Otello e Falstaff, voltaram a “casa”. Entre as outras estreias mundiais que tiveram lugar no La Scala contam-se obras de Puccini, Rossini, Bellini, Donizetti e Salieri. Das cerca de 40 estreias que o La Scala recebeu, 5 foram compostas por dois compositores de língua Portuguesa, Marcos Portugal e António Carlos Gomes.  

Saindo do La Scala e seguindo pela Via Manzoni, chega-se ao paraíso dos amantes de moda. Num pequeno quadriculado de ruas como a della Spiga, Montenapoleone, Bagutta, Venezia, Pietro Verri, Sant’Andrea, estão todas as principais griffes do mundo. É certo que as lojas não são para todas as bolsas mas é obrigatório percorrer essas pequenas ruas e vielas de luxo, nem que seja para fazer window shopping. “Olhar não tira pedaço” nem custa dinheiro portanto até os olhos menos abonados podem deslumbrar-se com as montras e as lojas das principais marcas italianas, muitas das quais têm em Milão o seu berço e/ou a sua sede. Entre elas contam-se Prada, Armani, Dolce&Gabbana, Versace e Valentino, que fazem com que Milão seja a capital mundial da moda, conseguindo de acordo com os especialistas suplantar Paris, Nova Iorque ou Londres. Bravo Milano!!!

A loja da Prada original fica nas Galerias Vittorio Emanuele, que são um monumento em si mesmas. Consideradas o mais antigo shopping center do Mundo, as galerias foram baptizadas em honra do primeiro rei de Itália, e são uma obra prima da arquitectura, nomeadamente devido às estruturas de vidro que as cobrem, tornando interiores as quatro ruas que a definem. Na interseção dessas quatro “ruas” de lojas fica uma praça central e a famosa abóboda que a cobre.

Mas não é só de moda, arte, finanças e história que vive Milão. A cidade é também uma das capitais gastronómicas do país, com inúmeros restaurantes que mostram a riqueza da cozinha do norte de Itália. Graças à sua vertente cosmopolita, Milão tem também fantásticos restaurantes de “moda”, porventura os com mais onda do país. Entre eles contam-se o Nobu, o Bice original, o Paper Moon ou o Ibiza. Mas antes de se jantar é tradicional ir tomar um “aperitivo”, que é mais do que apenas um copo ao fim da tarde. O “aperitivo”

em Itália é um dos mais importante momentos do dia, onde não se bebe apenas mas também se petisca “Italian style”. Ao fim da tarde os restaurantes, esplanadas e bares, enchem-se de pessoas que aproveitam as últimas horas do dia para confraternizar. Visitar Milão é também viver estas experiências “veramente” italianas.

Uma visita a Milão não fica completa sem se ir à Peck, provavelmente a melhor loja gourmet de Itália. Ali, paredes meias com o Duomo, vendem-se os produtos que fazem a base da gastronomia italiana e que explicam porque ela é uma das grandes cozinhas do planeta. Os aromas que a loja produz variam com a altura do ano, sendo que no inverno somos banhados com o perfume delicado das trufas, que ali têm talvez o seu maior templo. A elas se juntam as pastas, os queijos e enchidos, as compotas e molhos, os azeites vindos dos quatro cantos de Itália, os vinhos da Toscana ao Veneto, os cogumelos porcini, todas as variedades imagináveis de vinagre balsâmico, e um sem número mais de gourmandises irresistíveis. É imprescindível para os amantes de gastronomia deixar lugar nas malas para levarem para casa alguns destes produtos de grande qualidade. 

Muito mais há para fazer pela cidade. Milão é para se viver tanto quanto para se visitar. Algumas sugestões incluem comer um gelado na Grom, beber um “aperitivo” no terraço com vista para o Duomo da loja Rinascenti, visitar o castelo dos Sforza, beber um copo de um dos mais de 1000 vinhos do wine bar N’Ombra de Vin em Brera, entrar no universo da concept store 10 Corso Como, assistir como um tiffosi a um jogo do AC Milan ou do Inter, entre muitas outras experiências. Andiamo…?

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