Não há item de viagem que mais rapidamente associemos à ideia de evasão do que o quadro composto por uma mala aberta sobre uma cama. É ela a companheira de muitos quilómetros, aquela a quem confiamos os nossos bens mais pessoais e, também, objeto de muitos desgostos. Levante o braço quem nunca teve a sua mala de viagem extraviada num aeroporto.

Se atualmente a queremos prática, leve e, preferencialmente, com rodinhas, tempos houve – não tão distantes assim – em que a mala de viagem ou de trabalho assumia dimensões épicas. A conceção de viagem rápida não era concebível há cem anos. Como também não o era na Inglaterra Vitoriana, aceitar como razoável que uma senhora viajasse sem os seus apetrechos de beleza.

Crê-se que o primeiro material, leve, utilizado para produzir malas como hoje as conhecemos – não os baús e arcas utilizados durante milhares de anos - tenha sido o couro de animal, cosido, a forrar uma estrutura em madeira. Não era prático para transporte humano a grandes distâncias. Por isso preferiam os caminheiros as sacolas e bolsas em couro, nas suas viagens comerciais ou em peregrinação e com parca bagagem, não mais do que roupa e alguma comida.

Assim se mantiveram as malas em grande parte da Idade Média. As classes altas continuavam a preferir as arcas e baús nas viagens efetuadas numa Europa com precária rede viária e onde um périplo de poucas centenas de quilómetros – por exemplo na visita entre Coroas europeias – podia demorar longas semanas.

Já no século XIII, a condessa de Artois, é presenteada com uma mala que representa uma evolução face às congéneres da época. Era leve, delicada, tecida em Espanha.

Vale a pena olhar para estas malas do passado. Damos novo valor ao que temos
Exemplo de mala com equipamento completo para caçar vampiros. Peça europeia do século XIX.

Mais tarde, no século XV, vulgarizam-se as malas produzidas em pele de javali, continuando a mostrar-se menos resistentes, às longas viagens, face às malas em estrutura de madeira e couro reforçado.

Com o advento do século XIX e o nascimento do conceito de viagem como lazer, as malas sofrem uma revolução. “A necessidade aguça o engenho” e o aparecimento de novos materiais, permitem ao viajante libertar-se do jugo das malas hercúleas. Surgem malas em fibra de linho e ripas de madeira encurvadas. Mais tarde nascem as malas com fibra vulcanizada e a possibilidade de lhes imprimir cor e verniz.

Com o contributo do fecho-éclair e do nylon, as malas passam para o episódio seguinte, preparando as viagens para a explosão do Turismo com a paz que adveio com o fim da Segunda Guerra Mundial. Malas mais leves, mais práticas, maleáveis e adaptadas a inúmeras funções serviam não só os viajantes como os operadores no turismo.

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