Há trabalhos difíceis de definir ou de arrumar numa categoria ou conceito. A obra artística do norte-americano Brian Dettmer, nascido em 1974, inscreve-se no atrás referido. Dettmer é um escultor de livros.

Autor com obra disseminada por museus, galerias de arte e coleções particulares, Brian compara-se a um Dj e justifica-o porque, tal como este, recriando musicas de diferentes interpretes, Dettemer faz arte sobre o trabalho de terceiros. No caso vertente sobre um imenso legado bibliográfico, e não só, e que inclui antigos dicionários, enciclopédias, livros didáticos, livros de ciências e engenharia, livros de arte, guias médicos, livros de história, atlas, bandas desenhadas e, inclusivamente, livros de amostras de papel de parede.

Ao esculpir em papel, nos suportes citados, Brian quer reaproximá-los da nossa sociedade digital. Muitos livros perderam, aparentemente, o seu objetivo final, o de serem lidos. O que este artista norte-americano, natural do estado do Illinois, pretende é reaproximar os suportes escritos do público, tornando-os obras de arte.

Uma parte substancial do trabalho atual de Dettmer passa pela alteração de O portefólio de Brian inclui centenas de peças, desenvolvidas desde 2003, quando iniciou esta abordagem de transformação de livros.

Dettmer sela e recorta os livros, expondo imagens e textos selecionados para criar intrincados padrões tridimensionais que revelam interpretações novas ou alternativas dos livros.

Numa TED Talk proferida em 2014, o artista deixa-nos testemunho daquilo que é o seu trabalho. Dettmer nunca insere ou move qualquer conteúdo dos livros. Um processo que implica planear cada uma das ações sobre o livro que leva à sua bancada de trabalho.

Na peça a esculpir, o criador utiliza x-atos , pinças e instrumentos cirúrgicos. A peça é finalizada com vernizes que conferem estabilidade futura ao conjunto.

Na já referida TED Talk, Dettmer sintetiza-nos, assim, o seu trabalho: “Vejo o livro como um organismo vivo que continua perpetuamente a entregar-nos novos objetos. Por vezes vejo-o como uma paisagem, como um corpo, como tecnologia”.

“Quando lemos um livro criamos imagens. Eu gosto de extrair essas imagens dos livros”, sublinha o artista.

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