Quem vasculha as estantes, escaparates e caixas num alfarrabista sabe como um livro em segunda (ou terceira) mão acarreta uma história anterior. Não raro encontramo-lo sublinhado, rabiscado, com as páginas dobradas e imaginamos-lhe as vidas que não conta, as dos seus anteriores proprietários.

Sensível a esta questão, Ekaterina Panikanova, artista russa, nascida em 1975 na cidade de São Petersburgo, resgata velhos livros de um fim quase certo, a reciclagem.

O que a criadora, a residir em Roma, Itália, procura para o seu trabalho não é a matéria-prima que nos entrega um livro acabado de sair de uma gráfica. Panikanova não quer para as suas telas, papel imaculado, capas vistosas e palavras alinhadas para uma primeira leitura.

O que a artista russa procura são os livros carregados de caráter. Ekaterina tem-nos, desde 2009, aos milhares no seu estúdio na capital transalpina. Ordena-os de acordo com a intenção última do seu trabalho. Dá aos tomos ordem e, com esta, constrói enormes telas, dispondo dezenas de livros e pintando-lhes diferentes motivos.

A criadora procura no seu trabalho uma atmosfera nostálgica, por vezes irreal e tridimensional, aproveitando a anatomia das obras que seleciona para cada instalação. Páginas de enciclopédias, de bandas-desenhadas, velhos livros de cozinha, de engenharia ou arquitetura, tomos de botânica e de medicina; todos estes testemunhos em suporte papel vertem para o trabalho de Ekaterina.

Nas paredes assemelham-se a enormes puzzles, fluindo de acordo com a sensibilidade da autora.

Na sua obra artística, Panikanova usa técnica mista, recorrendo a colagem e pintura utilizando diferentes materiais, da aguarela, ao óleo e pastel.

Uma artista formada na Academia de Belas Artes de São Petersburgo e com exposições, entre outras cidades, em Moscovo, Roma, Veneza e Nova Iorque.

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