Em 2012, após 244 anos em impressão em papel, a prestigiada Enciclopédia Britânica anunciava ao mundo que deixaria o formato tradicional passando a estar disponível, unicamente, no digital. Os 17 volumes, meio milhão de tópicos, escritos por milhares de colaboradores e revistos por 19 editores a tempo inteiro, migravam, assim, neste século XXI para o online. Perdia-se uma tradição em papel que se mantinha desde 1768, aquando da primeira edição da “Britânica”, em Edimburgo, na Escócia.

As tradicionais enciclopédias, compilação de saber, ou “educação circular”, assim definindo a sua etimologia, cunhada no Grego Clássico, procuram neste tempo do digital um novo caminho para cativar leitores e, em abono da verdade, reduzir custos de produção. Isto sem abdicarem da sua natureza, o levantamento do conhecimento humano em artigos escritos por especialistas, o que inclui mapas detalhados e ilustrações.

Milhares de ilustrações, sobrepostas em outros tantos milhares de páginas que fascinam o artista alemão Alexander Korzer-Robinson. Este olha para enciclopédias deixadas ao abandono pelo tempo e utilizadores e vê nestes objetos despojados uma forma de comunicar com novos públicos.

Artista canadiano esculpe paisagens grandiosas em velhas enciclopédias e bíblias
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Numa era de enciclopédias digitais comunitárias, como a Wikipédia ou a Encarta, Alexander faz uma desconstrução do passado. Através de um elaborado e intrincado trabalho de corte das centenas de páginas de um volume enciclopédico, o criador elabora cenários narrativos. Imagens sobrepostas que mais não são do que o aproveitar das centenas de ilustrações que compõem cada tomo. Depois de terminado o trabalho, o volume é selado. Torna-se um objeto de arte para exposição de quem o adquire.

Um dos propósitos de Alexander, que trabalha a partir do Reino Unido, é resgatar para o presente um trabalho passado, quase um arqueólogo do papel que limpa substratos, resgatando para o olhar do seu público, fragmentos esquecidos sob centenas de folhas.

Sobre o seu trabalho conta-nos Alexander Korzer-Robinson na sua página online: “Faço esculturas de livros, trabalhando-os página a página, cortando algumas ilustrações, removendo outras. Dessa forma, construo uma composição, usando apenas as imagens encontradas no livro”.

Ainda a propósito do facto de “esventrar” livros, atividade que pode chocar bibliófilos, Alexander argumenta que compreende o desejo de preservar velhos livros. Contudo, o que faz é resgatá-los de um fim próximo, dando-lhes uma nova vida para a arte. “No fim todos se tornarão pó”, remata.

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