Limitam as actividades sociais e do dia-a-dia como caminhar, conduzir ou praticar desporto, com impacto directo na assiduidade laboral e escolar. Aumentam ainda o risco de queda, preocupante nos mais idosos pelas possíveis sequelas.

O desconhecimento da causa e o receio da evolução destas condições são fonte de angústia e ansiedade que, por vezes, se tornam o principal problema.

São transversais a todas as faixas etárias, apesar de menos frequentes nas crianças, afectando 30% das pessoas em algum momento da vida.

O que é a vertigem? E o que é que a distingue das tonturas?

A vertigem é um sintoma/manifestação e não uma doença, sendo por vezes difícil descrevê-la e distingui-la de outras perturbações do equilíbrio como as tonturas. Assim:

- Vertigem significa ilusão/falsa sensação de movimento do próprio em relação ao meio envolvente ou deste em relação ao próprio. Pode ser ou não rotatória.

- Tontura é um termo menos específico que engloba a sensação de desorientação espacial, flutuação, instabilidade ou fraqueza.

A vertigem acompanha-se geralmente de outros sintomas como náuseas, vómitos, fadiga e mal-estar, adquirindo assim a designação de síndrome vertiginoso que, em si, também não é um diagnóstico/doença.

Quais as causas de vertigem?

Para determinar a causa de vertigem são fundamentais a obtenção de uma história clínica detalhada e a realização de um exame otoneurológico, diferente do exame otorrinolaringológico habitual. Pela especificidade que a avaliação deste tipo de patologia apresenta, diversos hospitais criaram, dentro dos Serviços de Otorrinolaringologia, “Consultas de vertigem e perturbações do equilíbrio” com gabinetes e equipamentos próprios.

Para complementar a avaliação poderão ter que ser solicitados exames que avaliam a função auditiva e vestibular e exames de imagem.

A vertigem pode resultar de dois tipos de alterações:

- Periféricas – alterações do sistema vestibular no ouvido interno. São as mais frequentes, com uma prevalência anual de 5%. A sua prevalência aumenta com a idade e atinge duas a três vezes mais as mulheres do que os homens.

- Centrais – alterações do cérebro, tronco cerebral ou cerebelo como, por exemplo, tumores, acidentes vasculares, doenças degenerativas, tóxicos, infecções ou até mesmo enxaquecas. Se estas últimas forem identificadas, os pacientes poderão ser referenciados às consultas de Neurologia ou Neurocirurgia.

Doenças periféricas que mais frequentemente causam vertigem

- Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)

É a causa mais frequente de vertigem no adulto e é conhecida como a “Doença dos Cristais”. Caracteriza-se por episódios recorrentes de vertigem de curta duração (segundos) desencadeados por movimentos da cabeça, sobretudo ao deitar, levantar ou rodar na cama. Resulta da deslocação de otólitos (“cristais”) no interior do ouvido interno. Os otólitos deveriam encontrar-se no interior do utrículo mas encontram-se dentro do(s) canais semicirculares.

O tratamento consiste na realização de manobras de reposicionamento, isto é, uma sequência de movimentos guiados pelo médico que conduzem os otólitos novamente até ao utrículo.

- Doença de Menière

Caracteriza-se por múltiplos episódios de vertigem espontânea, acompanhada de surdez, zumbido e sensação de ouvido tapado (no mesmo ouvido da perda de audição e zumbidos). É uma doença crónica do ouvido interno e resulta da acumulação de endolinfa (“líquido”) no ouvido interno. Pode afectar os dois ouvidos.

O seu tratamento visa tratar a crise aguda e prevenir novos episódios, preservando a função vestibular e auditiva. Passa por medicação farmacológica, medidas dietéticas, alteração estilo de vida e reabilitação vestibular.

- Lesão vestibular periférica unilateral aguda

É a terceira causa mais frequente de vertigem periférica depois da VPPB e da Doença de Menière. Designada anteriormente por “Nevrite vestibular”, pensa-se que na sua origem está a inflamação do nervo vestibular pelo vírus herpes simplex tipo 1. Caracteriza-se por uma vertigem súbita e intensa durante 24 horas ou mais, acompanhada por náuseas e vómitos, na ausência de surdez ou zumbidos.

O tratamento baseia-se na administração de corticoesteróides e realização de reabilitação vestibular.

Não adiar tratamento

Considerando o impacto severo que estes sintomas têm na nossa qualidade de vida e nas rotinas diárias, apesar do contexto da pandemia em que vivemos, se confrontada com um episódio de vertigem ou tonturas, seja único ou recorrente, é muito importante que qualquer pessoa possa ser submetida a uma avaliação numa consulta especializada de otorrinolaringologia, de forma a prevenir e acompanhar situações que tardiamente diagnosticadas podem ser irreversíveis ou trazer complicações maiores.

Aproxima-se um inverno que se prevê desafiante com a chegada da gripe sazonal e com a possibilidade do país enfrentar uma 2º vaga de COVID e a este possível e exigente panorama junta-se o facto de muitas pessoas nos últimos meses terem adiado a procura de resposta clínica e desvalorizado as rotinas de saúde que normalmente faziam. Por tudo isto, não podia deixar de sensibilizar as pessoas para que não adiem por mais tempo a avaliação e tratamento de sintomas -como os de vertigem ou tonturas. As unidades de saúde seguem protocolos e circuitos rígidos para garantir a segurança de doentes e profissionais de saúde, estando disponíveis para diagnosticar e tratar a população agora.

Um artigo da médica Teresa Oliveira Matos, otorrinolaringologista no Hospital CUF Descobertas.

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