Para tratamento do AVC isquémico (o que resulta da obstrução de um vaso), temos ao nosso dispor dois tratamentos: a trombólise, que consiste na administração endovenosa de um medicamento que dissolve o trombo; e o tratamento endovascular, que contempla a realização de um cateterismo com remoção mecânica do trombo. Ambos os tratamentos só podem ser realizados nas primeiras horas após início do AVC e são tanto mais eficazes e seguros quanto mais precocemente realizados. Estes tratamentos permitem reduzir a mortalidade e sequelas pós-AVC.

Neste sentido, é fundamental que perante a suspeita de um AVC se contacte o 112. O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) saberá no preciso momento encaminhar o doente para o hospital pronto para o receber e irá ativar a Via Verde AVC – encaminhamento específico e prioritário de doentes com AVC.

Ao não contactar o 112 ou atrasar a ida para o hospital, o doente poderá perder a janela de oportunidade para realizar os tratamentos disponíveis. Para reconhecer um caso de AVC deve memorizar os “3 F’s” – alteração súbita da FORÇA de um braço/perna, da FALA, da FACE.

Desde março deste ano, desde início da pandemia COVID-19 em Portugal, que vários hospitais têm documentado uma redução do número de doentes com AVC a receber um dos tratamentos referidos. Não existindo uma razão evidente para redução do número de doentes com AVC, a percepção existente é de que doentes com AVC ou seus familiares têm evitado recorrer aos hospitais por receio da infeção COVID-19. Não existindo ainda dados concretos, antecipamos que com a redução de doentes tratados, a mortalidade e incapacidade associadas ao AVC irão aumentar.

Por todo o país, os hospitais adaptaram as suas instalações e protocolos de atuação separando doentes com e sem suspeita de COVID-19, minimizando assim a possibilidade de contágio. Em caso de suspeita de AVC, o receio da infeção COVID-19 não deve impedir que cada doente receba o tratamento adequado.

"O AVC não fica em casa" é a mensagem da mais recente campanha conjunta Sociedade Portuguesa de AVC, do INEM e da Iniciativa Angels. Chamar o 112 é o primeiro passo da cadeia de cuidados, que se espera que contribua para a redução de mortalidade e sequelas associadas ao AVC.

Um artigo do médico João Pedro Marto, do Serviço de Neurologia, Hospital Egas Moniz, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, e Membro da Sociedade Portuguesa do AVC.

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