Existem mais de 80 tipos de distúrbios do sono. Deste leque variado de perturbações destacam-se duas: a síndrome das pernas inquietas e a apneia do sono.

A primeira caracteriza-se pelo movimento involuntário das pernas, a segunda denuncia-se pelo ressonar intenso e por paragens respiratórias que ocorrem durante o descanso nocturno.

Ambas afectam a qualidade do sono e podem (e devem) ser tratadas. António Atalaia, neurologista, aponta as estratégias mais aconselhadas.

Síndrome das pernas inquietas

Quando se deita, à noite, sente um desejo incontrolável de mexer as pernas? Sente um alívio temporário desses sintomas se o fizer? A síndrome das pernas inquietas é uma perturbação que costuma ocorrer antes de adormecer e é mais comum em pessoas com mais de 50 anos.

Caracteriza-se por um mal-estar nas pernas, por vezes descrito como formigueiro ou como peso, que alivia com os movimentos, com a marcha e a mudança de posição, mas que volta após algum tempo de imobilidade. Estas queixas são caracteristicamente mais intensas no final do dia e durante o início da noite. Os movimentos podem persistir após o adormecer (Movimentos Periódicos do Sono) e causar fragmentação do sono e perda da capacidade regeneradora do mesmo.

Esta síndrome está inserida no grupo das parassónias, que são perturbações em que há actividades involuntárias durante o sono. Parassónias comuns são o sonambulismo, os terrores nocturnos e os pesadelos.

O que fazer?

Existe medicação própria para este problema que poderá aliviar as queixas e permitir um início do sono mais fácil a estes pacientes, uma vez que os sintomas se manifestam frequentemente ao adormecer.

De acordo com António Atalaia, «alguns casos podem melhorar com a administração de ferro, sendo a baixa tecidular deste elemento um factor desencadeante conhecido desta síndrome».

Apneia do sono

Confesse. Ressona? Acorda durante a noite com falta de ar? Tem a boca seca quando acorda? O seu companheiro diz-lhe que pára de respirar recorrentemente ao dormir? Acorda cansado com a sensação de não ter dormido?

É possível que sofra de apneia do sono, uma perturbação grave caracterizada por paragens respiratórias que se vão repetindo durante o sono.

Esta «paragem respiratória» priva o cérebro de oxigénio e é essa a razão do seu cansaço e mau-humor matinal. Na maioria dos pacientes a causa deve-se a uma obstrução das vias respiratórias superiores e da garganta (apneia do tipo obstrutiva).

Esta perturbação está relacionada com muitos outros problemas de saúde como a hipertensão, a obesidade, problemas cardiovasculares e diabetes.

O que fazer?

De acordo com António Atalaia, «embora existam diversos tratamentos para evitar o ressonar, o tratamento da apneia do sono é um problema sério e que não pode ser resolvido com sprays nem adesivos nasais. Alguns doentes precisam de tratamento médico com ventilação não invasiva (administração de ar comprimido por meio de máscara nasal), cirurgia ou uma combinação destas terapêuticas».

De qualquer forma, aponte estas dicas úteis:

- Perca peso
- Deixe de fumar
- Durma de lado
-Evite bebidas alcoólicas, sedativos e/ou medicamentos para dormir (relaxam os músculos e agravam por isso a tendência já existente durante o sono para a obstrução das vias aéreas).

Para ler sobre tipos e causas da insónia, clique aqui.

Texto: Ana Catarina Alberto com António Atalaia, neurologista no British Hospital Lisbon XXI