A doença renal tem um elevado impacto na qualidade e esperança média de vida, com custos pessoais e sócio-económicos importantes. Estima-se que mais de 850 milhões de indivíduos em todo o mundo sofram de alguma forma de doença renal e os dados estatísticos indicam que este número terá tendência a crescer num futuro próximo.

Em Portugal, por motivos não totalmente esclarecidos, a incidência e prevalência da doença renal é das mais elevadas em todo mundo, com cerca de 12000 doentes em tratamento substitutivo da função renal.

Desde 2006 que o Dia Mundial do Rim é comemorado na segunda quinta-feira de março, com o objetivo de alertar a sociedade para a saúde renal e suas implicações no bem-estar da população.  Este ano, o tema escolhido foi: “Saúde renal para todos, em qualquer lugar”. 

Lamentavelmente, o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde oferecidos e o grau de literacia para a saúde das populações é ainda muito assimétrico, tanto no nosso país como a nível global, sendo por isso importantes estas campanhas de sensibilização.

O rim é um órgão essencial ao bom funcionamento do corpo humano. Para além de ser o principal órgão de excreção das toxinas celulares, participa na regulação do conteúdo de água e sais minerais e é responsável pela produção de hormonas importantes na produção do sangue e no metabolismo ósseo.  

A doença renal pode ser quase assintomática até fases muito tardias, o que contribui para a sua subvalorização. As complicações inerentes como a anemia e a acumulação de substâncias tóxicas e água levam ao desenvolvimento de queixas como o cansaço, a falta de apetite, as náuseas e os edemas, que levam então o indivíduo a procurar cuidados de saúde. Nesta fase as lesões podem ser já irreversíveis, e o tratamento passará por técnicas de substituição da função renal como a diálise ou a transplantação. 

São várias as causas de lesão renal, quer aguda quer crónica. As doenças genéticas (como a doença renal poliquística), as glomerulonefrites (inflamação do tecido renal), as doenças autoimunes (como o Lupus Eritematoso Sistémico) e as doenças urológicas (malformações, litíase, doenças da próstata) são exemplos de causas pouco frequentes mas que podem, em muitos casos, ser detetadas e tratadas precocemente, atrasando ou mesmo evitando a doença renal terminal.

Atualmente as causas mais frequentes de patologia do rim são, em larga medida, doenças preveníveis ou reversíveis com a adoção de um estilo de vida mais saudável. São disto exemplo a diabetes mellitus, a hipertensão e outras doenças cardiovasculares e a obesidade. Estas doenças são já consideradas uma “epidemia global” já que atingem tanto os países desenvolvidos, como cada vez mais, países em vias de desenvolvimento, cuja dieta e costumes se têm ocidentalizado.

O rastreio das populações em risco e o desenvolvimento de campanhas para a redução do consumo de sal, gorduras e açúcar refinado, a evicção tabágica, a adequada hidratação e o aumento da atividade física são fatores fundamentais para promoção da saúde que poderão ter um elevado impacto na qualidade de vida e na redução da incidência da patologia renal.

Cabe às entidades governamentais, à sociedade civil e a cada um de nós a promoção, mas sobretudo a implementação destas medidas simples e altamente eficazes. 

A mudança do paradigma da doença renal em Portugal e no mundo está nas mãos de todos.

Um artigo da médica Inês Aires, Assistente Hospitalar Graduada de Nefrologia e membro da direção da Sociedade Portuguesa de Nefrologia .

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