Dorie Greenspan é norte-americana, autora de livros de cozinha e cronista regular do jornal The New York Times. Em outubro último, Dorie atravessou o Atlântico para conhecer Lisboa. Uma primeira visita que para a cronista não começou bem. Tentada a captar algumas das mais belas vistas da Lisboa antiga, Dorie embarcou no elétrico 28 para, rapidamente, descobrir que tinha sido roubada. A carteira e todos os cartões de crédito voaram para mãos alheias.

Na crónica que escreveu após o seu regresso a Nova Iorque dá voz ao seu desamparo: “Não vejo como é possível acumular pontos de passageiro frequente sem que se acumulem também contratempos. Inevitavelmente, haverá voos atrasados, refeições ruins, motoristas que percorrem o caminho mais longo para o nosso destino e horas vagando em torpor devido ao jet lag”.

O que serve de consolo a um roubo? Para a cronista do The New York Times um bolo de chocolate provado em Lisboa
Dorie Greenspan. créditos: Dorie Greenspan.

Não obstante o contratempo, a norte-americana trazia uma lista a cumprir, com paragens obrigatórias à mesa, e uma crónica em suspenso para o jornal onde escreve habitualmente.

Doris sentia-se “em choque, com raiva e vergonha”, mas também estava “faminta, almejando ao conforto que se obtém com a comida”.

Provou o nosso pastel de nata e comenta-o aos muitos leitores do jornal: “Uma pequena tarte de massa folhada, cheia de creme e assada a uma temperatura elevada escurecendo o creme”.  Dorie admite que “comi alguns deles diariamente”, frequentando inclusivamente uma aula para aprender os segredos do pastel de nata. “Sob outras circunstâncias, os bolinhos teriam sido tudo o que eu precisava para ser feliz; claramente eu não estava pronta para a felicidade”.

À beira da partida para o seu país natal, Doris fez uma derradeira paragem lisboeta. Na última manhã na capital portuguesa, a cronista rendeu-se verdadeiramente à mesa. Porquê? Porque visitou a LX Factory, mais concretamente o espaço Landeau Chocolate, onde provou uma fatia de bolo de chocolate, “o centro de todas as atenções porque a única proposta do menu da Landeau”.

O que serve de consolo a um roubo? Para a cronista do The New York Times um bolo de chocolate provado em Lisboa
O bolo que conquistou a afeição da cronista Dorie. créditos: Landeau Chocolate

Dorie Greenspan não regateia elogios ao bolo: “Um bolo escuro e denso, com um final de boca longo. O sabor permanece suave. É coberto com um creme de chocolate - uma mousse ou um ganache. E é coberto com cacau, tanto cacau que não pode estar ali apenas como decoração”.

A cronista regressou aos Estados Unidos com uma fatia do bolo na bagagem. Procurou recriá-lo já em terras do Tio Sam. Chegou próximo no resultado e está a divulgá-lo na página de receitas que gere. Remata a sua crónica afirmando que “sempre que faço o bolo recordo o elétrico 28, mas o pensamento desagradável é momentâneo. Já o chocolate perdura”.

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