Em junho de 2018 decorrerão dois anos sobre a morte de Anthony Bourdain, chefe de cozinha, jornalista, moderador, ativista, apresentador, escritor, um irreverente que nunca escondeu os anos de adição ao álcool e às drogas. Para além do legado que nos deixou em séries de televisão como a inigualável “Parts Unknown”, cuja última temporada decorreu já após a morte do ator (suicidou-se durante as filmagens), Bourdain também foi senhor de carreira nos livros.

Este 2020, mais precisamente a 13 de outubro, o mundo vai receber em mãos um livro póstumo com autoria de Anthony Bourdain. “World Travel: An Irreverent Guide”, já com reserva online, conta com coautoria de Laurie Woolever, que concluiu a obra. A escritora norte-americana conta, no currículo com artigos publicanos no New York Times, GQ, Saveur

Já antes, Laurie havia coparticipado numa obra com Bourdain. Em 2016, publicou “Appetites”. Agora, “World Travel: An Irreverent Guide”, apresenta-se como um guia para alguns dos lugares mais fascinantes do mundo, visto e experimentado pelo escritor, apresentador de televisão e viajante incansavelmente curioso Anthony Bourdain.

O derradeiro livro de Anthony Bourdain chega este ano às mãos dos leitores
créditos: ECCO

“Anthony Bourdain viu mais do mundo do que quase todos nós. As suas viagens levaram-no da sua cidade natal, Nova Iorque, a uma aldeia tribal no Bornéu, da cosmopolita Buenos Aires, Paris e Xangai à beleza absoluta da Tanzânia e à impressionante solidão no deserto de Omã”.

O livro reúne uma vida de experiências sob a forma de guia de viagens divertido, e prático.

Os leitores encontram na obra uma introdução a alguns de lugares favoritos do apresentador e chefe de cozinha, descritos nas suas próprias palavras e com conselhos sobre como chegar aos destinos, o que comer, onde ficar e, em alguns casos, o que evitar.

Anthony Bourdain: O chefe de cozinha que também quis ser ativista político
Anthony Bourdain: O chefe de cozinha que também quis ser ativista político
Ver artigo

Em complemento às palavras de Bourdain, “World Travel: An Irreverent Guide” apresenta ensaios escritos pelo punho de amigos, colegas e familiares. Histórias que incluem relatos de viagens com Bourdain como as do seu irmão Chris ou um guia das melhores refeições baratas de Chicago pelo lendário produtor musical Steve Albini.

Cada capítulo inclui ilustrações espirituosas do cartoonista Tony Millionaire. A capa com autoria do mesmo criador, revela-nos um Anthony Bourdain descontraído, a apreciar um café numa esplanada francesa.

Em vida, Bourdain inaugurou a sua carreira nas letras com o artigo "Don´t Eat Before Readins This" publicado na revista New Yorker. Em 2000 lançava o seu primeiro livro “Kitchen Confidential”, um título que nos revela o lado obscuro do mundo da cozinha.

Mais tarde publica dois outros livros de não-ficção, “A Cook's Tour” (2001), um relato das suas viagens gastronómicas pelo mundo, escrito em conjunto com a sua primeira série de televisão, e “The Nasty Bits” (2006), obra que reúne ensaios e histórias exóticas e provocantes centradas principalmente no universo da comida.

Outros livros do autor incluem “Anthony Bourdain's Les Halles Cookbook” e “No Reservations: Around the World on an Empty Stomach”.

Uma morte inesperada

A oito de junho de 2018 o mundo caiu em surpresa quando ao final da manhã a cadeia de televisão norte-americana, CNN, anunciava a morte de um dos mais inspirados, influentes e interventivos chefes de cozinha da atualidade. Aos 61 anos, Anthony Bourdain foi encontrado morto no seu quarto num hotel no sul de França. Bourdain, filmava, então, mais uma temporada da sua já longa série “Parts Unknown”.

Um comunicado que chegava ao mundo sob a forma de uma frase singela: "O seu amor [de Bourdain] pela grande aventura, novos amigos, boa comida e bebida e as histórias notáveis do mundo fez dele um narrador único".

Em junho de 1956 nascia no Columbia Presbyterian Hospital, em Nova Iorque, um dos mais irreverentes, ousados e desconcertantes chefes de cozinha da atualidade. Anthony Bourdain, de ascendência francesa por parte do pai, viria a tornar-se já homem maduro, um dos principais ativistas políticos à escala global em programas de televisão como "Viagem ao Desconhecido" ou “Sem Reservas”.

Seria, aliás, a televisão a catapultar Bourdain para a esfera mediática mundial. Em 2001 o chefe de cozinha torna-se um viajante global e embarca num programa de televisão, “A Cook´s Tour” (Food Network), ao encontro dos comeres de lugares recônditos, mas também as cozinhas menos conhecidas de grandes cidades.

Anthony Bourdain

Mais tarde, em 2005, sobe à cena televisiva "Anthony Bourdain: Sem Reservas" (Travel Channel) e o mundo da cozinha estava, novamente, face a um modelo de programa que rompia com o cânone. Forte batida musical a abrir os episódios, linguagem agressiva e sem rodriguinhos, um chefe de cozinha que procurava os bairros de lata, os meios desfavorecidos, os food trucks citadinos. Bourdain não procurava as cozinhas limpas, os restaurantes com estrelas Michelin. E o formato agradou ao mundo. O programa que contou, nada mais, nada menos, do que com nove temporadas, até à estreia, em 2013 de “Viagem ao Desconhecido” (depois de anunciar que se mudaria para a CNN), galardoada com os prémios Emmy e Peabody.

Por quatro vezes Anthony Bourdain visitou o nosso país para gravar episódios das suas séries em Lisboa e nos Açores. Mais recentemente, em 2017, o chefe e aventureiro esteve no Porto onde gravou, degustou as tripas portuenses, não se fez rogado a uma lampreia e, no café Afonso, lançou-se a uma Francesinha.

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Lifestyle diariamente no seu email.

Notificações

Os temas mais inspiradores e atuais estão nas notificações do SAPO Lifestyle.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.