Para prover o sustento da Abadia de St. Sixtus, na região de Westvleteren, no norte da Bélgica (na Flandres), os monges produzem anualmente uma quantidade limitada de queijos e de cervejas trapistas artesanais. Isto num período restrito do calendário, aproximadamente 40 dias.

Esta ordem religiosa, com perto de 20 membros, embora vivendo em comunidade, obedece à clausura e ao princípio de “Orar e Trabalhar” (Ora et Labora), pelo que não são permitidas visitas à cervejaria. Esta, localizada não muito distante do centro produtor de lúpulo de Poperinge.

Contudo, os apaixonados pelas cervejas produzidas no silêncio do mosteiro, a 150 quilómetros de Bruxelas, têm, agora, a oportunidade de adquirir as famosas cervejas através do novo site desenvolvido a pedido dos monges. Neste, os interessados, depois de registados, podem solicitar o máximo de duas caixas de Westvleteren.

Todas as garrafas vendidas através do site podem ser rastreadas de forma a evitar a revenda não autorizada do produto.

Para além da abertura de um novo canal de comercialização das suas cervejas, produzidas desde o século XIX, o objetivo dos monges é o de evitarem a revenda inflacionada das suas bebidas artesanais, promovendo a aquisição direta, “a um preço justo”, das cervejas. Em 2018, cervejas com a marca Westvleteren foram vendidas com um preço cinco vezes acima daquele que é praticado pelos monges.

Na Bélgica, monges que praticam a clausura lançam site para vender as suas cervejas artesanais

As três cervejas fabricadas pela cervejaria, alcançaram reputação internacional, sendo Westvleteren 12 tida entre as melhores do mundo.

Até agora, o único local autorizado à venda da cerveja trapista é o In de Vrede, localizado frente à abadia, o centro de receção dos visitantes.

Uma caixa de 24 garrafas da cerveja Trappist custara perto de 45,00 euros adquirida diretamente no local.

Sublinhe-se que a cerveja trapista é produzida sob a supervisão de monges da Ordem Trapista. Dos 171 mosteiros trapistas existentes no mundo, apenas 11 etsão autorizados a identificar as suas cervejas com o selo de autenticidade trapista. Para além de seis mosteiros na Bélgica, encontramos dois na Holanda, um na Áustria, um nos Estados Unidos da América e um em Itália.

Entre as regras a que obedece a produção de uma cerveja trapista estão a observação do dever de produzir a bebida dentro dos muros de um mosteiro trapista, pelos próprios monges ou sob sua supervisão. Para mais, a cervejaria tem de ser de importância secundária dentro do mosteiro e deve seguir práticas de negócios adequada para o modo de vida monástico.

O rendimento proveniente da venda das cervejas deve ser canalizado para a manutenção dos edifícios e terrenos do mosteiro. Os excedentes devem ser doado a instituições de caridade para o trabalho social e para o auxílio de pessoas carenciadas.

A Ordem Trapista é uma congregação religiosa católica , pertencente à Ordem de Cister. O nome provém do mosteiro cisterciense de Nôtre-Dame de la Trappe. Os trapistas fazem três votos religiosos típicos de todas as Ordens e Congregações religiosas católicas: pobreza, castidade e obediência, embora incluam um outro voto, o da estabilidade, ou seja, prometem viver no mesmo mosteiro até a morte.

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