Ao longo dos tempos, e sobretudo nas últimas décadas, as técnicas de depilação facial aperfeiçoaram-se para melhor responder às necessidades e características de cada tipo de pele e tornaram-se cada vez mais seguras e eficazes. Se está na dúvida quanto ao método mais indicado para si, siga os conselhos da dermatologista Paula Quirino e da maquilhadora Antónia Rosa e evite riscos desnecessários para a sua saúde e beleza.

Buço e queixo

Existem basicamente três formas de eliminar os pelos desta zona:

- Creme depilatório

«O preço reduzido, o acesso fácil e a dispensa de acompanhamento profissional» são as principais vantagens, segundo a dermatologista Paula Quirino. Este método apresenta, contudo, algumas desvantagens. Tem um resultado semelhante ao da lâmina, o que obriga a repetições constantes. «O crescimento do pelo é interrompido à superfície e cresce depressa (em menos de uma semana)», explica a especialista.

«Exceto numa pessoa que tenha uma alergia comprovada ao produto, não existem contraindicações», garante Paula Quirino. No entanto, é fundamental respeitar as instruções de uso. «Existe o risco de irritação que pode evoluir para eczema alérgico ou eczema irritativo. Retire imediatamente o produto se sentir ardor ou comichão», aconselha. Se tem a pele sensível, reduza em alguns minutos o tempo de pose sugerido na embalagem dos cremes depilatório ou descolorante.

- Laser

O caráter definitivo deste método é a sua principal vantagem. Depois de se submeter ao laser «não volta a ter pelos na zona tratada», garante a dermatologista. O preço (a partir de €30 euros por sessão) e a duração do tratamento são as principais desvantagens deste método. «As sessões são marcadas com um intervalo de três semanas a um mês. Os pelos que ainda não foram tratados continuam a crescer», explica a dermatologista.

Em casos raros, «a luz não chega à raiz do pelo e o tratamento não alcança o resultado desejado». Quem tem a pele bronzeada, pessoas que apresentem um contraste mínimo entre a cor da pele e do pelo e quem está a tomar algum tipo de medicação fotossensibilizante não deve recorrer a este método. Queimaduras cutâneas em peles bronzeadas pelo sol e despigmentação das zonas tratadas são alguns dos riscos da depilação a laser.

- Cera

É o método de depilação não definitiva mais duradouro. «Adolescentes que estejam a fazer tratamento da acne com medicamentos retinoides» não devem recorrer à cera. Nestes casos, «é preciso cuidado na zona do lábio superior, uma vez que esses mediamentos fazem com que a pele, em contacto com a cera, tenha uma reação exagerada que pode resultar em peeling (queda de pele)», adverte.

Se tem uma pele reativa ou muito sensível, teste a temperatura da cera antes de a aplicar na epiderme que pretende depilar. O facto de estar demasiado quente, «aumenta o risco de queimadura e vasodilatação», refere, em jeito de alerta, a especialista Paula Quirino.

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Sobrancelhas

Aqui o pelo cresce quatro vezes mais lentamente do que no resto do corpo, podendo levar oito semanas a aparecer de novo.

- Cera

Apesar de ser um dos métodos maisprocurados nos salões de beleza, Antónia Rosa, maquilhadora, deixa um alerta. «O puxão da cera distende a pele retirando-lhe firmeza e a temperatura da cera pode causar manchas irreversíveis e alterar a textura da pele», sublinha.

- Técnica do fio (threading)

Teve origem no Médio Oriente e, por cá, massificou-se em stands dos centros comerciais. Antónia Rosa considera que este método «desgasta a pele, criando borbulhas na zona entre os olhos», mas garante que «permite desenhar a sobrancelha de forma perfeita».

- Laser

«Não é comum ser usado nesta zona por ser difícil delinear a sobrancelha com um foco de luz. pode proteger-se os olhos com óculos especiais, mas há sempre o risco de pelada ou lesão ocular», confirma
Paula Quirino.

Descoloração é alternativa à depilação

É o método ideal para disfarçar pelos muitos finos e tendencialmente claros. Está à venda em supermercados, é muito fácil de usar. Siga as instruções de aplicação e respeite o tempo de pose indicado. Se tem a pele sensível ou atópica teste o produto na zona do antebraço.

O recurso à pinça

Nas sobrancelhas«retira os pelos um por um e respeita o seu crescimento. É o método de depilação mais preciso e o único capaz de melhorar a expressão do rosto», afirma Antónia Rosa. No buço e queixo o seu uso repetido «dessincroniza o crescimento dos pelos, fazendo com que nasçam com ritmos diferentes e obrigando a que se retirem quase diariamente, aumentando o nível de irritação da pele», alerta Paula Quirino.

O que não deve usar

Apesar de inofensivos quando usados no corpo, não devem ser aplicados no rosto. É o caso da lâmina. Se o pelo for arrancado pela raiz, quando começa a crescer, fá-lo a partir do folículo, que é mais fino e menos agressivo a (per)furar a pele. No caso de ser cortado por uma lâmina, o pelo vai romper a partir de onde foi interrompido, causando a sensação de estar mais forte e de picar.

No rosto, evite o creme depilatório de corpo. Apesar de a composição dos cremes depilatórios ser relativamente a mesma, Paula Quirino recomenda que, nos tratamentos faciais seja usada a fórmula indicada para essa parte do corpo, uma vez que os depilatórios corporais podem implicar mais tempo de aplicação e aumentar o risco de irritação ou alergia.

Texto: Nelma Viana com Antónia Rosa (maquilhadora) e Paula Quirino (dermatologista)