As mulheres também têm queda de cabelo. É o seu caso? Nem pense em resignar-se. A medicina, a cosmética e a cirurgia firmaram uma aliança a seu favor para que não perca nem mais um fio de cabelo para além dos 50/100 que se perdem naturalmente, por dia. A alopecia masculina é socialment e aceite e há mesmo homens que se orgulham da sua careca. A alopecia feminina, no entanto, é um verdadeiro drama para um número cada vez maior de mulheres.

Estima-se que cerca de 25% das mulheres entre os 25 e 65 anos apresentam algum grau de calvície. Se antigamente a maioria dos pacientes eram homens, hoje em dia, o caso mudou de figura e as mulheres também procuram ajuda neste campo. Tire todas as suas dúvidas sobre a alopecia feminina. Estas são as dúvidas mais comuns que chegam aos gabinetes dos especialistas:

- Quando devo ir ao médico?

Sempre que constatar que tem perdido mais cabelo do que o normal, mais do que os 50 a 100 cabelos que perdemos naturalmente ao longo do dia. De acordo com Fátima Garcês, entrevistada enquanto médica de clínica geral no CM2C, Centro Médico de Microtransplante Capilar, em Lisboa, «existem perdas de cabelo facilmente tratáveis como, por exemplo, as provocadas por problemas de tiróide ou deficiência de ferro».

«Por outro lado, existem doenças mais complicadas na base da perda capilar, tais como lúpus, ovários poliquísticos, excesso de androgénios, alopecia areata, trauma, eflúvio telogénico, ação de químicos e por aí fora», refere ainda esta especialista.

- As hormonas têm influência?

Por vezes, são determinantes. Os estrogénios, que são as hormonas femininas, encarregam-se que o folículo fabrique cabelo e as masculinas (ou androgénios) determinam que o crescimento cesse para dar lugar a um cabelo novo. Quando este equilíbrio se perde, surge a alopecia androgénica que, normalmente, atinge os homens mas, também, uma grande parte das mulheres com queda de cabelo.

- Quando é que devo ficar preocupada?

Perder cabelo é normal, assim como perdê-lo mais numas alturas do que noutras. Na verdade, a nossa cabeça perde diariamente entre 50 e 100 cabelos dos 100.000 que a povoam normalmente. Se passar alguns dias a perder mais do que esta quantidade, vá a um especialista o quanto antes.

- Por que perdemos cabelo com a idade?

Quando envelhece, o nosso organismo cria um cabelo de pior qualidade. Mas o ponto de inflexão é a menopausa. Metade das mulheres que passam dos 50 anos vêem-se afectadas de alguma forma pela perda capilar. Isto deve-se à diminuição da produção de estrogénios, que favorece a acção das hormonas masculinas. O resultado é uma alopecia de tipo androgénico.

- Existe algum culpado?

Sim. Chama-se 5 alfa-reductase. Esta enzima transforma a inofensiva testosterona em DHT, a sua forma mais potente e agressiva contra os folículos. Daí ser tão importante, na batalha contra a queda de cabelo, bloquear a ação da 5 alfa-reductase.

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- A pílula influencia?

Nem sempre. «Existem pílulas que são utilizadas para combater a perda de cabelo quando esta é causada, por exemplo, por patologias dos ovários», refere Fátima Garcês.

- Até que ponto é que a alimentação é importante?

As dietas de emagrecimento descontroladas ou os regimes vegetarianos são, muitas vezes, pobres em proteínas ou vitamina B12, elementos essenciais à produção de cabelo. A escassez de ferro pode ainda originar anemia, que tem como um dos sintomas a queda de cabelo.

- Por que nos cai tanto cabelo depois de dar à luz?

A gravidez é a situação hormonal ideal da mulher. O cabelo fica muito bonito e a pele, fantástica. A abundância de estrogénios prolonga o crescimento do cabelo mas, depois do parto, regressa-se à normalidade e o cabelo que devia cair durante meses, cai todo de uma vez. Para além disso, às vezes não voltam a crescer tantos cabelos como antes da gravidez.

Tenha calma e aguarde meio ano, porque vai recuperar o cabelo todo ou, pelo menos, a sua grande maioria. Se, passado este tempo, não melhorar, vá ao médico.

- Que outros fatores causam alopecia?

Stress, queimaduras químicas, cirurgias grandes, doenças crónicas e alguns tratamentos médicos para doenças graves podem provocar queda de cabelo. Esta perda pode ou não ser recuperada depois da causa desaparecer. Um caso distinto é a alopecia cicatricial, que é permanente, já que o tecido que foi gravemente danificado regenera, mas é incapaz de repor os folículos danificados.

- Os produtos antiqueda funcionam mesmo?

Existem tónicos baseados em princípios activos, sobretudo botânicos, que reforçam o cabelo quando se tem uma queda leve e passageira. Mas se o problema for mais grave, o único que demonstrou ser eficaz foi o minoxidil (o aminexil é o seu derivado comercial), com uma concentração de 2% ou 5%.

O minoxidil reativa a microcirculação e a criação de queratina e evita que o colagénio que cobre o bolbo se torne rígido. Uma coisa é certa, tem de se ser persistente, uma vez que os resultados demoram meses a notar-se.

- O que é a mesoterapia capilar?

Consiste na infiltração de substâncias estimulantes do crescimento capilar no couro cabeludo. Faz-se com uma agulha muito fina, parecida com as que se usam para a insulina. Com elas, introduz-se 1 cm3 de um cocktail personalizado de agentes ativos, nomeadamente vasodilatadores periféricos, vitamina B, minerais e oligoelementos, entre outros. Recupera-se, no mínimo, o cabelo perdido no último ano.

Veja na página seguinte: O laser pode ajudar?

- O laser pode ajudar?

A aparatologia que se usa para combater a alopecia tem como objetivo reativar os folículos pilosos, oxigenando-os e melhorando a sua nutrição. Também é benéfica no caso da oleosidade e da caspa, mas em si mesma obtém poucos resultados. No entanto, potencia os benefícios dos antiqueda aplicados topicamente.

- As massagens resultam?

Uma massagem suave do couro cabeludo é agradável, uma vez que relaxa e melhora o afluxo de sangue ao folículo piloso. Mas é preciso ter em conta que não é nenhum remédio contra a calvície, apesar de melhorar a eficácia dos produtos antiqueda.

- E se nada resultar?

A esperança encontra-se na cirurgia e chama-se transplante capilar. Trata-se de uma cirurgia menor que requer paciência e habilidade por parte do cirurgião.

- Como se procede?

Extrai-se o cabelo da zona doadora que é, habitualmente, a nuca, onde os cabelos estão geneticamente programados para durar toda a vida. Este procedimento consiste em retirar, um a um, os folículos desta zona e recolocá-los nas áreas onde fazem falta. Cicatriza em cerca de três dias e a marca é praticamente imperceptível, acabando por desaparecer totalmente em menos de uma semana.

- Não tem inconvenientes?

Não mais do que qualquer cirurgia pouco invasiva e, claro, o tempo que as micro-incisões demoram a cicatrizar. Com esta técnica, obtêm-se resultados totalmente naturais. Para além disso, não há risco de rejeição, uma vez que o material implantado é do próprio organismo.

- Por que as mulheres não tomam finasterida?

A finasterida é eficaz contra a alopecia androgénica em ambos os sexos. O problema é que pode causar malformações congénitas graves, pelo que os médicos só a recomendam a mulheres que não correm o risco de engravidar, como é o caso das pós-menopáusicas.

Texto: Madalena Alçada Baptista