Quando lhe perguntam o que faz, responde sem rodeios. "Tiro fotografias de bebés mortos", responde. Imortalizar os últimos momentos de pais destroçados pela perda dos filhos é a principal motivação de Kim Smith. A fotógrafa diz que encontrou nesta forma de voluntariado uma forma de ajudar casais a fazer o luto. Manter o mais perfeita possível na mente dos pais a imagem de um bebé que não sobreviveu é outra das suas pretensões.

Em muitos dos retratos, nem sequer se percebe que a criança que os progenitores seguram já estava morta há várias horas. Nos últimos 18 meses, a fotógrafa de 48 anos já fez mais de 30 sessões fotográficas, a maioria delas em hospitais. Kim Smith foi uma das primeiras voluntárias a aderir ao "Remember My Baby", um projeto de fotógrafos voluntários que pretende que os pais fiquem com uma recordação física dos filhos que nunca irão ver crescer.

"Muitos ainda estão em choque com a notícia da morte mas ainda não houve que desistisse durante a sessão", revelou a fotógrafa ao site inglês Mirror. "Os pais são geralmente mais emocionais do que as mães. Houve um que nunca conseguiu olhar para o filho", revela ainda a voluntária do projeto. Apesar da coragem que demonstra durante as produções, fotografar crianças nesta condição está longe de ser fácil.

"A minha família, quando lhes contei que ia fazer isto, tentou demover-me. Disseram-me que eu era demasiado emotiva e que não ia conseguir. Acabei por me surpreender a mim própria", revela. O mais difícil, assume, é lidar com crianças que morreram durante o trabalho de parto. Muitas delas sem qualquer marca física. "Acho que nunca me vou conseguir habituar. Apetece-me sempre pegar nos bebés e abraçá-los", admite.

Texto: Luis Batista Gonçalves com Remember My Baby (fotografia)

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