Você sente-se

O que a ciência já descobriu sobre este estado emocional

  • Subjacente ao facto de estar zangado encontra-se a cólera, uma emoção que, como qualquer outra, tem uma função própria.

    Neste caso, a de preparar o seu corpo para três atitudes possíveis. A cólera pode levá-lo a actuar (combater), comunicar (intimidar o outro) ou, simplesmente, resultar na adopção de uma postura submissa (nas situações em que o medo prevalece sobre a agressividade).

    Na raiz desse estado emocional pode encontrar-se uma frustração. Algo ou alguém fez com que se sentisse ameaçado na sua auto-estima, bem-estar, propriedade ou identidade. Outros fatores podem ser o sentimento de que estão a invadir a sua privacidade e a dor física ou emocional.

    Além disso, algumas pessoas desenvolvem agressividade por necessitarem de se proteger muitas vezes ou por viverem em meios onde esta é valorizada.

    É possível que, nesta altura, não consiga identificar a fonte da agressividade ou, até, que ache que esse não é o seu caso. Isso deve-se ao facto de, em muitas situações, se tratar de um processo inconsciente ou de uma resposta secundária a um sentimento de tristeza, solidão ou medo.

    • Algo não correu como você esperava ou tinha previsto (a nível físico, social, sexual, emocional, intelectual...) Exemplo: Nas últimas semanas, empenhou-se no desenvolvimento de um projeto, mas quem ficou com o mérito foi um colega seu.
    • Esse acontecimento imprevisto choca com os seus valores, mesmo que não tenha consciência disso (muitas vezes, estão em causa convicções profundas). Exemplo: Você seria incapaz de se apropriar do trabalho de outra pessoa.
    • Você sente-se frustrado. O seu sistema nervoso está a avaliar o facto que desencadeou a frustração (a sua importância, instantaneidade e intencionalidade), emite um juízo de valor e considera as hipóteses de combater, intimidar o outro ou simplesmente assumir um papel de submissão. Exemplo: «Eu passei horas extraordinárias a trabalhar, mas as chefias pensam que o mérito é do meu colega. Confronto-o, vou agredi-lo ou não faço nada?»
    • Aumentam os seus níveis de adrenalina, noradrenalina e cortisol. Se o seu nível de testosterona é elevado, será fácil reagir de modo mais agressivo
    • Os seus músculos estão tensos, preparados para a ação
    • Tem o batimento cardíaco e o ritmo respiratório acelerados e a tensão arterial aumentada
    • Os vasos periféricos (das mãos, pés e face) estão dilatados, fazendo aumentar a temperatura e provocando a sensação de calor. É por isso que pode ficar corado
    • Tem outras reações orgânicas idênticas às do medo, como stress e ansiedade
    • Caso a sua reação seja agressiva, o sistema límbico do cérebro pode estar tão activo que o impede de raciocinar, provocando um «curto-circuito» no córtex
    • A sua mandíbula tende a ficar cerrada
    • Pode ranger os dentes
    • Sente desconforto no estômago
    • Transpira
    • As mãos, lábios ou maxilar ficam trémulos
    • Sente tonturas e formigueiro na parte de trás do pescoço
  • A cólera é essencial para a nossa sobrevivência, é inclusivamente saudável quando expressa de forma adequada, mas há duas maneiras erradas de a gerir: explodir ou reprimir-se.

    No primeiro cenário, vai ficar descontrolado; no segundo, vai recalcar aquilo que sente, possivelmente porque tem medo de não agradar aos outros.

    Resultado? Esse mal-estar vai acumular-se ao longo do tempo e, mais tarde ou mais cedo, irá levá-lo a explodir no pior momento. Ambas as hipóteses têm consequências negativas para a sua saúde e para as relações com os outros.

    A boa notícia é que há outras alternativas. Dizer ou fazer algo de que se arrepende mais tarde faz parte da vida, mas pode aprender a pôr as coisas a funcionar a seu favor adoptando as seguintes estratégias:

    1º Passo: Conheça-se a si próprio

    2º Passo: Passe à prática

  • Estar zangado é um dos muitos estados que compõe o puzzle emocional do ser humano, ou seja, é algo normal. No entanto, há situações em que pode deixar de o ser.

    Se a cólera tem um efeito destrutivo nos seus relacionamentos, se o deixa infeliz ou se o conduz a comportamentos violentos ou perigosos, está a ter consequências negativas para a sua saúde física e psicológica.

    É este o seu caso se…

    • Sente frequentemente que tem que reprimir a sua raiva
    • Vive situações agressivas recorrentes (por exemplo, tem muitas discussões com os que o rodeiam, sobretudo o seu companheiro(a), pais, filhos ou colegas)
    • Ameaça com violência pessoas ou propriedades
    • Tem episódios explosivos
    • O seu comportamento revela falta de controlo (entra em «piloto automático». Por exemplo, ao conduzir, perde as estribeiras e torna-se imprudente)
    • Nota (ou os outros já lhe disseram) que a intensidade das suas reações é desproporcional à situação
    • Aquilo que o fez ficar zangado já aconteceu há muito tempo, mas não consegue deixar de pensar nisso
    • Aquilo que o fez ficar zangado provoca-lhe pensamentos vingativos, está a interferir no desempenho das suas atividades e a afetar a sua relação com familiares e amigos

    Se se revê em algum destes casos está na hora de procurar ajuda.

  • Quando ocorre de forma descontrolada ou se arrasta no tempo, este estado emocional pode ter um impacto significativo na saúde:

    • Dores de cabeça
    • Problemas do sistema digestivo, como úlceras e síndrome do cólon irritável
    • Problemas de pele
    • Hipertensão
    • Sistema imunitário debilitado, logo mais infecções, constipações, gripes e propensão a doenças em geral
    • Problemas de memória
    • Dores nas costas
    • Insónias
    • Perda de objetividade: tendência para a interpretação de situações ou reações inofensivas como sinais de agressividade
    • Depressão
    • Distúrbios alimentares
    • Abuso de álcool
    • Auto-mutilação
    • Baixa auto-estima
    • Problemas cardiovasculares: os estudos mostram que as pessoas coléricas correm maior risco de sofrer um acidente cardiovascular, sobretudo quando associado a tabagismo, excesso de peso, tensão arterial elevada, colesterol e doenças cardiovasculares na família. Uma investigação do Stress Research Institute, de Estocolmo, verificou que homens que reprimiam a raiva que sentiam após serem tratados injustamente no trabalho, tinham cinco vezes mais probabilidade de ter um ataque cardíaco do que aqueles que confrontavam o outro com a sua frustração.
  • Caso identifique sinais de alarme preocupantes (consulte Quando se deve preocupar) associados a este estado emocional, é aconselhável que procure ajuda.

    A psicoterapia aplica-se a todas as situações de sofrimento psicológico que a pessoa não está a conseguir resolver ou compreender pelos seus próprios recursos.

    Se suspeita de uma situação do foro médico (tumores, síndromas neurológicos, problemas endócrinos, etc.), um psiquiatra estará mais habilitado a fazer uma triagem.

    Caso contrário, poderá consultar um psicoterapeuta. Os bons profissionais têm noções de diagnóstico que lhe permitem fazer a triagem dos casos que necessitam também de apoio médico e psiquiátrico

Fonte e revisão científica:

  • Vítor Rodrigues, psicólogo clínico e ex-presidente da EUROTAS - Associação Transpessoal Europeia