Você sente-se

O que a ciência já descobriu sobre este estado emocional

  • O cansaço é um convite ao refúgio físico e mental, para satisfazer a necessidade de descanso própria da condição humana, algo que é essencial para a nossa sobrevivência.

    Embora hoje esteja banalizada, dada a sobrecarga de atividades, a falta de descanso e de tempo que caraterizam o estilo de vida atual não deixa de ter consequências negativas para a saúde, desde as mais comuns às mais graves.

    Fique atento: na prática, aquilo que está a sentir neste momento traduz-se num sinal de alarme acionado pelo organismo para indicar que, se quer continuar a funcionar de forma eficaz, é essencial que reponha os seus níveis de energia

    • Você confunde-se facilmente.
    • Sente dificuldades em concentrar-se.
    • Não tem o rendimento intelectual ou a eficiência habitual.
    • O seu humor está alterado: tende a sentir-se triste ou agressivo e até chega a evitar tarefas intelectuais que normalmente lhe dariam prazer.
    • Sofre de desmotivação: falta-lhe entusiasmo, sente-se aborrecido.
  • Sente-se provavelmente sonolento. O sono é um mecanismo reparador do organismo, logo, se você não pára, é normal que ele lhe cobre, «fora de horas», o tempo de descanso que lhe é devido.

    As dores de cabeça passaram a ser mais frequentes no seu dia-a-dia, podendo estar associadas, por exemplo a uma elevação na tensão arterial e a alterações na vasodilatação periférica e, por isso, na irrigação.

    Falta-lhe energia para completar tarefas.

    O cansaço pode ter muitas causas, mas se estiver associado a uma depressão verifica-se uma diminuição dos níveis do neurotransmissor serotonina. Neste contexto, as catecolaminas – dopamina, noradrenalina e adrenalina – também podem interferir: uma diminuição dos níveis de dopamina pode ter a ver com menos entusiasmo, falta de motivação.

    Em algumas pessoas, uma diminuição dos níveis de noradrenalina resulta no mesmo tipo de efeito.Quando está elevado, o fator de libertação da corticotropina, neurotransmissor e hormona de stress, parece poder interagir com a baixa dos níveis de serotonina para produzir o lado biológico da depressão.

  • Se o seu estado de saúde é normal, o nível de cansaço que sente depende essencialmente de... si. Isto não significa que não tenha compromissos que o justifiquem, mas se anda muito cansado, algo não está bem e é provável que seja o valor que atribui ao descanso.

    Antes de mais, é essencial que se mentalize de que descansar não é um luxo reservado a quem «tem vida para isso». É, sim, um cuidado de saúde básico e essencial, uma tarefa a incluir literalmente na sua agenda, todos os dias.

    Terá que adoptar estratégias para conseguir cansar-se menos (ou descansar mais). Para não se perder pelo caminho, siga as nossas sugestões:

    1º Passo: Conheça-se a si mesmo

    2º Passo: Passe à prática

  • Num estado de saúde normal, os mecanismos biológicos de descanso, como o sono, permitem que o organismo satisfaça a necessidade de descanso. Quando deixam de funcionar, é sinal de que algo de errado se passa.

    Assim, se sofre de perturbações do sono, como insónia ou sonolência permanente, há mais de um mês, agitação constante ou se não consegue relaxar, mesmo nos tempos livres, deve procurar ajuda especializada.

    Não deixe arrastar a situação. O seu cansaço pode ser sintoma de doença e ter consequências a longo prazo.

  • Um cansaço duradouro ou arrastado no tempo pode contribuir para situações de esgotamento, em particular síndrome de burnout.

    Por outro lado, há estudos científicos que indiciam que a tensão orgânica prolongada pode ter componentes psicológicas associadas e contribuir para problemas musculares e articulares, como é o caso da fibromialgia.

    Por outro lado, o cansaço é também sintoma de muitas doenças, desde síndrome de fadiga crónica, gripe a problemas do sistema digestivo (estômago, intestinos), problemas respiratórios e alterações cardiovasculares, e inclusivamente oncológicos.

  • Se o cansaço que sente se arrasta há mais de um mês e a ele se associam sinais de alarme (consulte Quando se deve preocupar), procure o seu médico de família para que possa fazer o diagnóstico do seu caso, ou seja, esclarecer o que pode estar a provocar o cansaço.

    Ele será a pessoa indicada para lhe prescrever soluções farmacológicas, se tal se adequar, ou eventualmente encaminhá-lo para outros profissionais, por exemplo especialistas em medicina do sono, reumatologia, psiquiatria ou psicologia.

Fonte e revisão científica:

  • Vítor Rodrigues, psicólogo clínico e ex-presidente da EUROTAS - Associação Transpessoal Europeia