Você sente-se

O que a ciência já descobriu sobre este estado emocional

  • Em teoria, existem dois «responsáveis» por aquilo que está a sentir neste momento:

    O seu património genético

    Estudos científicos demonstraram que a herança genética é responsável por cerca de 50 por cento da satisfação que sentimos em relação à nossa vida. Contudo, outros estudos mostram que o nosso cérebro é dotado de uma grande neuroplasticidade e pode ser «treinado» para a felicidade.

    A sua atitude

    Neste caso, a felicidade pode...

    • Resultar da soma das suas experiências quotidianas positivas (por exemplo, o simples facto do dia lhe ter corrido bem).
    • Ser fruto da sua capacidade para lidar com contrariedades e de assumir o comando da situação (por exemplo, você pode ter uma visão «panorâmica» sobre a sua vida muito positiva, apesar do dia não lhe ter corrido bem).
    • Assentar no facto de identificar em si mesmo forças, talentos e virtudes e de se empenhar no trabalho, relações sociais e afectos. Parte da chave da felicidade reside na realização das nossas capacidades físicas, emocionais, intelectuais e espirituais.
    • Estar ligada ao facto de acreditar na entrega a algo superior a si mesmo.

    A investigação científica revela que a felicidade está mais associada à frequência das emoções positivas do que à sua intensidade. Traduz-se, sobretudo, em pequenos episódios de bem-estar e não em grandes momentos de êxtase, como muitas vezes se crê.

    • Lembra-se de forma recorrente de acontecimentos passados em que se sentiu igualmente feliz, o que alimenta um «ciclo vicioso» de felicidade.
    • Sente que tem poder de agir sobre a vida e que, potencialmente, pode ser o que quiser.
    • Tem uma expectativa positiva em relação à vida, a sua auto-estima está em alta.
    • Está mais bem humorado.
    • Cultiva um elevado grau de envolvimento com os outros.
    • Deixou de estar obcecado em fazer comparações com os outros.
    • Sente que tem capacidade para superar os maus momentos da vida.
    • Percebeu que não pode controlar os acontecimentos, mas pode sempre controlar a sua reacção face aos acontecimentos.
    • Está preparado para se adaptar às situações.
    • O lobo frontal do hemisfério direito é a área mais activa do seu cérebro.
    • Os neurotransmissores (substâncias químicas que estabelecem a comunicação com outras células) que estão a ser mais libertados são:

    As endorfinas: Quimicamente semelhantes à morfina, promovem o prazer e amortecem a dor, sendo libertadas durante o exercício físico e o orgasmo.

    A dopamina: Libertada no nucleus accumbens e no cortex frontal, banha os neurónios ligados à memória e à emoção e é responsável pelo bem-estar associado a actividades que nos dão prazer, como comer ou o sexo.

    • A sua tonicidade muscular aumentou.
  • Se quer manter a sensação de bem-estar que a felicidade lhe oferece, precisa de estimular a resiliência, capacidade essencial para fazer face a situações desagradáveis que muito provavelmente irão acontecer.

    A boa notícia é que os nossos circuitos cerebrais se renovam ao longo da vida, pelo que estamos biologicamente preparados para reforçar os que são responsáveis pelas emoções positivas. É um aspecto da chamada neuroplasticidade.

    Não se trata de reprimir as emoções negativas, mas de aprender a tirar partido das capacidades de adaptação do cérebro para concretizar o seu potencial.

    Estes objetivos estão à distância de dois passos:

    1º Passo: Conheça-se a si mesmo

    2º Passo: Passe à prática

  • Não há contra-indicações conhecidas para estados de felicidade prolongados ou intensos.

    Os estudos científicos indicam que é possível alguém estar feliz durante grande parte da vida, mesmo passando por situações muito adversas.

    É o caso de monges budistas que foram sujeitos a tortura mas conseguiram manter um estado de paz interior e de satisfação. Da mesma forma, está demonstrada por diversos estudos científicos a correlação entre emoções positivas e condições de saúde física e mental mais favoráveis a longo prazo.

    Não se deve confundir, contudo, um quadro de felicidade prolongado e intenso com situações em que o estado de espírito funciona como uma montanha-russa, nomeadamente picos de episódios de humor elevado e expansivo, eufórico ou irritável que se intercalam com depressão.

    Se à sua alegria, autoconfiança e criatividade se associam irritabilidade extrema, pensamentos acelerados, dívidas, sensação de grandiosidade, hiperactividade, insónias, abuso de álcool, entre outros, secundadas por episódios depressivos, deverá procurar ajuda especializada.

  • A longo prazo, o bem-estar promovido pela felicidade associada à libertação de endorfinas...

    • Favorece o desempenho do sistema imunitário, logo, maior resistência a doenças
    • Ajuda a proteger a memória
    • Prolonga a esperança de vida
    • Estimula o alívio das dores
    • Tem um efeito anti-envelhecimento
    • Promove a saúde cardiovascular
    • Estimula o bom funcionamento músculo-esquelético
    • Potencia o relacionamento social
  • Se vive episódios de humor elevado e expansivo, eufórico ou irritável que se intercalam com depressão deverá procurar ajuda. Pode estar a viver uma doença bipolar.

    A psicoterapia aplica-se a todas as situações de sofrimento psicológico que a pessoa não está a conseguir resolver ou compreender pelos seus próprios recursos.

    Se suspeita de uma situação do foro médico (tumores, síndromas neurológicos, problemas endócrinos, etc.), um psiquiatra estará mais habilitado a fazer uma triagem.

    Caso contrário, poderá consultar um psicoterapeuta. Os bons profissionais têm noções de diagnóstico que lhe permitem fazer a triagem dos casos que necessitam também de apoio médico e psiquiátrico.

Fonte e revisão científica:

  • Vítor Rodrigues, psicólogo clínico e ex-presidente da EUROTAS - Associação Transpessoal Europeia