Você sente-se

O que a ciência já descobriu sobre este estado emocional

  • Se tem medo é porque percebe que existe perigo, quer essa percepção corresponda à realidade ou não. O medo tem associadas várias reacções cuja função principal é prepará-lo para uma ação física, ou seja, ajudá-lo a fugir ou a limitar os danos. Muitas vezes, é uma emoção inconsciente.

    Como todas as emoções fundamentais, o medo tem uma expressão facial característica: olhos e boca largamente abertos (de forma particular, diferente da alegria, já que os músculos responsáveis são diferentes) e sobrancelhas elevadas.

    • Você enfrenta uma ameaça concreta e imediata. Exemplo: O seu chefe, com quem não se dá particularmente bem, chamou-o ao gabinete.
    • Você sente que é incapaz de enfrentar essa ameaça, por não ter recursos (físicos, psicológicos ou outros) para lhe fazer frente. Exemplo: O seu chefe é mais forte e tende a ser agressivo.
    • Você projeta uma situação de risco, ou seja, uma situação em que é muito provável que um certo perigo se concretize. Exemplo: «De certeza que o meu chefe me vai despedir e, pior, aos gritos».
  • O lobo frontal do hemisfério esquerdo é a área mais ativa do seu cérebro. Está ativado o sistema nervoso simpático que, juntamente com o parassimpático, constitui o sistema nervoso autónomo, isto é, aquele que «actua» independentemente da sua vontade. Os seus dois neurotransmissores, a acetilcolina e a noradrenalina, estão a aumentar.
    Como resultado, sobretudo se está prestes a confrontar-se com o seu objeto de medo, é natural que sinta alguma das seguintes manifestações:

    • Batimento cardíaco acelerado
    • Respiração acelerada
    • Contracção muscular
    • Tremores
    • Palidez
    • Arrepios
    • Arrefecimento das mãos, causado pela contração dos vasos periféricos
    • Desmaio
    • Sensação de incapacidade de reagir
    • Perda de controlo dos esfíncteres
    • Bloqueios na voz
    • Todos os sintomas típicos de outras reações de alarme, como o stress e a ansiedade
  • O medo é uma manifestação natural e uma garantia de segurança para qualquer animal, incluindo o ser humano. Mas se tem reações desproporcionadas face àquilo que o assusta e, em especial, se deixa que o medo condicione as suas escolhas e opções de vida, tem motivos para aprender a gerir melhor esta emoção. Para isso, terá que parar de fugir e reconhecer o que sente.

    O passo seguinte é investir no desenvolvimento da sua capacidade de enfrentamento. «O oposto do medo é a força», disse o filósofo indiano Vivekananda. Só confrontando as situações que o assustam poderá vir a sentir-se forte e válido, reconquistando o poder de vida que o medo lhe foi roubando aos poucos.

    Saiba como pode conseguir já a seguir:

    1º Passo: Conheça-se a si mesmo

    2º Passo: Passe à prática

  • O medo é um sentimento natural e desejável no ser humano, já que o protege do perigo. Mas quando se torna recorrente e é levado ao extremo, passa a condicionar a vida em vários domínios e tem consequências a longo prazo. Se pensa que este pode ser o seu caso, pergunte-se:

    • A possibilidade de se confrontar com o seu objeto de medo (aranhas, por exemplo) impede-o de realizar actividades (como ir ao sótão procurar fotografias antigas)?
    • Num cenário que lhe proporciona prazer (como viajar para um país exótico), a possibilidade de se confrontar com o seu objeto de medo (já que é um país povoado de grande aranhas) fá-lo andar ansioso durante vários meses?
    • Quando confrontado com o seu objeto de medo, você tem uma crise de pânico (aumento incontrolável do medo)?

    Se se revê numa destas situações, você pode sofrer de uma fobia e deve procurar ajuda.

  • O medo é uma reação de alarme, tal como o stress e a ansiedade, no entanto, no medo dada a maior intensidade dos episódios, as consequências podem surgir mais depressa.
    Eis alguns exemplos dos efeitos a longo prazo do medo:

    • Depressão (devido sobretudo à limitação da vida e perda de prazer)
    • Maior propensão para problemas músculo-esqueléticos
    • Tendência para o desenvolvimento fadiga crónica
    • Ataques de pânico
    • Aumento dos níveis de colesterol
    • Maior susceptibilidade para ter problemas cardíacos
    • Tensão neuromuscular que se pode tornar crónica
    • Fragilização do sistema imunitário: maior propensão para o desenvolvimento ou acentuação de doenças como asma, problemas de pele, artrite, depressão, ansiedade, problemas de coração
    • Prevalência de distúrbios emocionais
  • Se o medo que sente é recorrente, intenso e/ou condiciona a sua vida, deve procurar ajuda profissional.

    A psicoterapia aplica-se a todas as situações de sofrimento psicológico que a pessoa não está a conseguir resolver ou compreender pelos seus próprios recursos.

    Se suspeita de uma situação do foro médico (tumores, síndromas neurológicos, problemas endócrinos, etc.), um psiquiatra estará mais habilitado a fazer uma triagem.

    Caso contrário, poderá consultar um psicoterapeuta. Os bons profissionais têm noções de diagnóstico que  permitem fazer a triagem dos casos que necessitam também de apoio médico e psiquiátrico.

Fonte e revisão científica:

  • Vítor Rodrigues, psicólogo clínico e ex-presidente da EUROTAS - Associação Transpessoal Europeia