É sabida a devoção dos nipónicos ao pormenor e a sua ligação à natureza, tradição e história. A mesma sociedade que vive no auge tecnológico e digital, mas que não abdica de artes como o Ikebana, ou seja, os arranjos florais, ou o Mukimono, o preceito de esculpir as peças de fruta.

Não querendo abdicar da ancestral cultura do arroz, alimento ligado há milénios à dieta japonesa, uma localidade do noroeste da ilha de Honshu, quis fazer daquele cultivo motivo de atração nacional.

Anualmente, desde 1993, os responsáveis pelo município de Inakadate incentivam a criação de arrozais artísticos. Na prática, alguns hectares de campos alagados, onde se pratica ancestralmente a cultura do arroz, são reservados à criação de gigantescos murais.

Obras de arte naturais, com a intervenção de toda a comunidade. É esta que, anualmente, em articulação com o governo da cidade, decide o motivo que estará em exibição pública. Uma operação que conta com o apoio de professores de belas-artes, produtores de arroz e informáticos.

Detalhada a maqueta, são selecionadas as variedades de arroz envolvidas no cultivo. Volvidas algumas semanas sobre a cultura do arroz, emergem as plantas e, com elas, a reprodução em enorme escala do mural selecionado para exibição. Um mural efémero. O ciclo do arroz termina em poucas semanas. O que não invalida a visita anual de dezenas de milhares de turistas japoneses. Ganha a economia da cidade agrícola com pouco mais de oito mil habitantes.

Quanto aos murais, variam nos temas, das abordagens à cultura tradicional, aos exemplos cunhados no mangá, a banda desenhada nipónica, e cinema.

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