Brasil e Tunísia são dois destinos populares entre os candidatos à realização de cirurgias estéticas.

Mas será que estas viagens são, de facto, compensadoras? Falámos com o cirurgião plástico Joaquim Seixas Martins para perceber até que ponto vale a pena sair do país para fazer uma operação plástica.

Conheça a opinião do especialista e, ainda, as características de duas das intervenções mais procuradas.

Estética estrangeira

Por questões financeiras, o Brasil é um dos países mais procurados para a realização de cirurgias plásticas e estéticas. Tal como em Portugal, as mais frequentes são a lipoaspiração e a mamoplastia de aumento. Com exceção de São Paulo e Rio de Janeiro, os preços praticados são mais baixos «e essa é a única razão que leva as pessoas a procurar a cirurgia aí», refere Joaquim Seixas Martins, cirurgião plástico.

A Tunísia é outro destino que oferece preços reduzidos nesta área, havendo muitos cirurgiões franceses que começam agora a trabalhar nesse país. «Podem até cobrar o mesmo que em França, mas o custo da equipa auxiliar e das clínicas é mais baixo», explica o especialista. 

Vale a pena ser operado noutro país?

«Em termos de
qualidade, cirurgiões e técnicas utilizadas, Portugal apresenta as
mesmas soluções que outros países», diz o especialista. No nordeste
brasileiro estas intervenções podem ser feitas a preços baixos mas, como
realça Joaquim Seixas Martins, «é preciso ter em conta não só o preço,
mas a qualidade do serviço».

De acordo com o especialista, «a
mesma lógica deve ser seguida na Tunísia, onde os preços são apelativos.
É preciso, contudo, avaliar previamente as condições em que será feita a
intervenção». No caso de optar por fazer uma mamoplastia de
aumento na Europa, Joaquim Seixas Martins deixa um outro conselho. «Assegure-se de que
as próteses são certificadas com a marca CE», recomenda.

Listas de espera

Apesar de serem raros os casos, a mamoplastia de aumento também pode ser feita em hospitais públicos.

«O objetivo não é aumentar o peito, mas igualá-lo quando há, por exemplo, anomalias no seu desenvolvimento. Há outras deformações graves em que é necessário mexer na glândula mamária e, nessas situações, quando a patologia implica problemas na coluna ou outros, as pessoas têm prioridade. O tempo de espera nos hospitais públicos é, no máximo, nove meses», refere o cirurgião. 

Lipoaspiração

O objetivo é remover a gordura subcutânea e modelar o corpo. Os casos contraindicados prendem-se com a obesidade e/ou a flacidez cutânea. Os riscos aumentam com a associação de outras cirurgias de anestesia geral ou sedação, para modelar múltiplas zonas. Como a intervenção é mais demorada, o organismo é mais traumatizado e existe maior risco de ocorrer uma embolia pulmonar.

O pós-operatório é mais difícil e requer repouso quando há mais de uma área sujeita à intervenção. Com anestesia local, a recuperação é mais rápida e, à excepção de dores na zona modelada, a pessoa pode fazer a vida normal rapidamente. O preço ronda os 1.000 euros por zona.

Mamoplastia de aumento

Aumentar o tamanho do peito e melhorar a forma com próteses que podem ser colocadas sob o músculo é o principal objetivo. A cirurgia é feita através da axila, à volta da aréola mamária ou por baixo do peito. Os casos contraindicados
prendem-se, sobretudo, com mulheres com antecedentes familiares de cancro da mama e mulheres com historial de doença de múltiplos nódulos no peito, infeções ou cancro da mama.

Este procedimento cirurgico não deixa de envolver alguns riscos, nomeadamente a possibilidade de infeções, hemorragias e formação de tecido cicatricial à volta do implante. O pós-operatório envolve algum inchaço, dormência e alteração da sensibilidade do mamilo. O regresso ao trabalho pode ser feito entre cinco a sete dias depois. O preço varia entre os 4.600 e 5.600 euros.

Para conhecer as nove recomendações que deve ter em conta antes de qualquer cirurgia, clique aqui.

Texto: Mariana Correia de Barros com Joaquim Seixas Martins (cirurgião plástico)