Daquele que foi, em tempos, o maior hotel do Japão restam hoje apenas memórias e destroços. Devido ao seu estado de abandono, alguns dos quartos apresentam, hoje, sinais de degradação e até de ecossistemas próprios. No entanto, outros permanecem praticamente intactos, não fosse o pó e as teias de aranha a denunciá-lo, como demonstram as fotografias agora tornadas públicas pela polaca Natalia Sobańska.

A fundadora do projeto Deadinside.eu, criado com o intuito de mostrar ao mundo que os lugares abandonados não são apenas ruínas mas, sim, espaços com uma beleza diferente, esteve lá há uns meses e registou uma série de imagens, que pode ver na galeria de imagens que se segue. "Infelizmente, não era sustentável manter um hotel destas dimensões aberto", lamenta, em jeito de desabafo, a fotógrafa.

Chegou a ser a maior unidade hoteleira do país do sol nascente. Erguido numa remota ilha vulcânica do Japão, a cerca de 300 quilómetros da cidade de Tóquio, o Hachijo Royal Hotel foi inaugurado com pompa e circunstância em 1963 e, na altura, atraía clientes da, à época, crescente e emergente classe média japonesa. Antes de 1964, conseguir o passaporte era difícil e moroso, o que inviabilizava as viagens ao estrangeiro.

Destinos relativamente próximos, como os da Ásia e do Pacífico, estavam, durante a primeira metade da década de 1960, completamente fora de questão. Para agarrar esses clientes, os agentes do setor procuraram encontrar um refúgio equivalente dentro de portas. A escolha recaiu na ilha vulcânica subtropical de Hachijo-jima, 287 quilômetros a sul de Tóquio. Nascia assim "o Havai do Japão", como muitos lhe chamavam.

Os curtos tempos de viagem de barco e um aeroporto que tinha acabado de ser melhorado permitiram à ilha receber um grande número de turistas numa altura em que novas unidades hoteleiras surgiam. O luxuoso Hachijo Royal Hotel, inspirado na arquitetura barroca francesa com representações em gesso de estátuas gregas e fontes ornamentais de água, era o reflexo do boom económico que surgira no continente.

A queda de um gigante

Três décadas passadas e uma cultura de viagem para o exterior totalmente desenvolvida fizeram com que as areias vulcânicas de Hachijo-jima deixassem de ser o destino de eleição dos cidadãos nipónicos, já que praias melhores e mais atrativas como as da Tailândia, de Guam na Micronésia e do Havai nos EUA, se encontravam a distâncias pouco maiores. Para fazer face à nova concorrência, a ilha teria que reinventar-se.

O mais luxuoso dos seus hotéis, agora com menos clientes e a braços com problemas de rentabilidade económica, também. Nos anos seguintes, mudaria várias vezes de nome. Hachijo Oriental Resort terá sido o último, antes do encerramento definitivo, no final de 2006, altura em que se tornou impossível manter aberta uma unidade hoteleira de tamanha envergadura. Hoje, apenas os mergulhadores encontram o que fazer na ilha.

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