Três mulheres que emigraram

O testemunho de emigrantes portuguesas que não tiveram medo de arriscar

Portugal tem assistido a uma nova vaga de emigração. Dados do Observatório da Emigração indicam que Angola, Reino Unido e Suiça ocupam o top 3 dos destinos que estão a atrair mais fluxos de portugueses nos últimos anos. Seguem-se países como Espanha, Alemanha, Luxemburgo, Holanda, Brasil, EUA e Canadá.

Independentemente do destino, são cada vez mais os portugueses que tentam a sua sorte além fronteiras, como confirmam os últimos indicadores oficiais. Conheça o testemunho de três portuguesas que deixaram este país à beira mar plantado e recomeçaram a sua vida noutras paragens.

A vida de Paula Barbosa nos EUA

Licenciada em biologia, 39 anos, Paula Barbosa está em Boston com os dois filhos mais novos há um ano e meio, casou recentemente com um americano e só pensa regressar nas férias. Procurava emprego no site Monster.com e surgiu a oportunidade de trabalhar em Medford, nos arredores de Boston, numa empresa de construção que precisava de uma coordenadora de segurança em obra que falasse português e espanhol.

Do que mais gosta é acordar numa cidade cheia de movimento (diz ser uma mulher cosmopolita) mas ouvir o som de um pica-pau, ou ver um bando de gansos a atravessar a rua. Gosta da simpatia e calor com que os locais recebem os emigrantes. Já as maiores desvantagens são o custo de vida elevado e o trânsito caótico. As relações sociais são fáceis mas nada como em Portugal. As pessoas são amistosas mas vive-se muito para a família.

O que levou Ana Caeiro a optar pelo Brasil

Licenciada em direito, Ana Caeiro está há um ano em São Paulo, com o marido e três filhos, sem planos para voltar a Portugal. Escolheu este destino porque, por motivos profissionais, o marido necessitava passar mais tempo em solo brasileiro. Em finais de 2011, decidiram mudar-se definitivamente para lá, onde abriram uma filial da agência portuguesa de marketing e eventos The Street.

A informalidade das relações, o espírito positivo com que as pessoas encaram a vida, que se torna contagiante, grande cumplicidade e interajuda são, para Ana, as maiores vantagens de viver no Brasil. Além disso, as oportunidades de trabalho são imensas. Gosta de viver nesta cidade e afirma que, apesar das saudades da família e do mar, é feliz. O nível de vida, demasiado elevado é, contudo, uma desvantagem.

São Paulo tem excelentes restaurantes mas muito caros. Uma saída à noite pode atingir valores elevadíssimos. Qualquer viagem a Portugal justifica fazer compras, pois uma simples camisola de criança custa, no Brasil, três vezes mais. O seguro de saúde é pesado no orçamento familiar, mas fundamental, tal como o colégio das crianças. As relações sociais são muito fáceis e grande parte dos seus amigos são brasileiros. Ana entende que não é bom ficar presa apenas à comunidade portuguesa.

Os desafios de Célia André em Moçambique

Pós graduada em gestão de marketing, Célia André está em Maputo desde 2012, com o marido e as três filhas e vai ficar «enquanto for feliz», diz. O marido tinha o sonho de viver em África e aceitou o desafio de montar uma empresa de safaris em Moçambique, em 2011. Célia André trabalhava num projeto de internet, pelo que podia fazê-lo à distância. Passados alguns meses aceitou a direção do primeiro outlet em Moçambique, o Blume Outlet.

Do que mais gosta neste destino é a boa qualidade de vida, o povo é amistoso e de bom humor. É relativamente seguro, com um clima agradável e praias lindas. É ainda um país de grandes oportunidades, com grande potencial energético e turistico. As desigualdades de género e riqueza, a pobreza em que vive a maior parte do povo, com poucas condições, com um serviço de saúde muito fraco, escolas com poucos recursos e grau elevado de analfabetismo são as principais desvantagens deste sítio.

Além disso, o custo de vida é elevado, devido a uma grande dependência do exterior, onde quase tudo é importado. A integração da família foi fácil, a língua é a mesma e as filhas adaptaram-se bem à escola que frequentam e fizeram amigos com facilidade.

Texto: Helena C. Peralta

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