Transexuais brilham na moda brasileira

Apesar do êxito nos principais desfiles, as manequins que mudaram de género ainda são rejeitadas fora da “passerelle”, diz o “New York Times”.

Carol Marra, Camila Ribeiro, Felipa Tavares, Melissa Paixão. São elas as novas modelos transexuais do Brasil. Para além das já das famosas Roberta Close e Lea T, o mercado brasileiro da moda está a assistir a um aumento do número de manequins transexuais e transgénero, muitas vezes saídas do interior do Brasil e estabelecidas em São Paulo, uma das capitais mundiais da moda.

O fenómeno é tema de uma reportagem publicada este fim de semana pelo jornal “The New York Times”. “Para as modelos transgénero, as suas experiências revelam que a aceitação social tem sido um processo a várias velocidades, mesmo se o país tem uma imagem liberal”, escreve o jornal norte-americano.

O historiador brasilianista James N. Green, citado pelo jornal, entende que o fenómeno tem pouco valor político. “Homens com aparência de mulher encaixam nas fantasias dos homens: não representam nenhuma ameaça desde que sejam submissas e se limitem à beleza e à roupa”, afirma o historiador. Carol Marra parece ter uma resposta: “Nunca quis ser ativista, sempre me vi como uma mulher igual às outras.”

A reportagem, assinada pela jornalista “freelance” Taylor Barnes, explica que fora da moda o êxito das modelos transgénero é limitado. Dificilmente chegam a revistas ou eventos para o grande público. Algumas modelos continuam a ser vistas como trabalhadoras sexuais, o que é considerado negativo.

Carol Marra, de 26 anos, tem grande destaque no artigo do “New York Times”: Dizem-na a “preferida do momento”. Em 2012, desfilou na Fashion Rio, semana da moda do Rio de Janeiro. No ano passado foi capa da “Trip”, revista brasileira de moda e consumo. E agora está no elenco da série “Psi”, produzida pela HBO Brasil e com estreia agendada para este domingo, dia 23.

Bruno Horta

artigo do parceiro: Bruno Horta

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