Spugs: o trio influente que queria acabar com o consumismo do Natal

No início do século XX, um grupo de mulheres americanas formaram o Members of The Society for the Prevention of Useless Giving (SPUG): um movimento criado com a intenção de acabar com o consumismo desenfreado tão típico da época natalícia.

A atriz Eleanor Robson Belmont, o presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt e a milionária filantropa Anne Tracy Morgan.

Nos tempos que correm são muitas as famílias que durante a quadra festiva correm para as lojas em busca de presentes para oferecer aos seus familiares e amigos. Tendo em conta que o Natal também é uma época de reflexão, uma das questões que se coloca em alturas como esta é a inversão de valores e o chamado consumismo do Natal.

De acordo com o site ‘Atlas Obscura’ este é um sentimento que já se tem vindo a verificar desde 1911, altura em que surgiu, nos Estados Unidos, o Members of The Society for the Prevention of Useless Giving (Spug). O grupo foi idealizado e fundado por duas das mulheres mais ricas e influentes da sociedade de Nova Iorque: a atriz Eleanor Robson Belmont e a milionária filantropa Anne Tracy Morgan, filha do banqueiro J. P. Morgan.

Apesar de não serem contra a tradicional troca de presentes entre familiares e amigos, as denominadas Spugs pretendiam por um ponto final no consumismo exacerbado que todos os anos tomava conta da vida e das carteiras de milhares de americanos. Segundo o artigo, este movimento foi criado como forma de protesto contra os presentes de luxo – que podiam custar até duas semanas de ordenado - trocados entre patrões e colegas de trabalho a troco de favores.

No espaço de um ano o Members of The Society for the Prevention of Useless Giving, que na altura só contava com membros do sexo feminino, conseguiu reunir seis mil membros. Uma das formas de recrutar apoiantes era através de anúncios colocados em jornais nos quais era deixado explícito o propósito deste movimento.

“Costuma oferecer presentes? Se sim, costuma oferecê-los por generosidade ou na esperança de receber presentes ou favores em troca? Se é assim que tem procedido, e pretender revoltar-se contra esta hipocrisia, então é um membro elegível para o Clube Spug”, podia ler-se numa das páginas do New York Times datada de 12 de novembro de 1912.

Tal como explica o artigo, este crescimento no número de apoiantes deveu-se, em grande parte, à popularidade e carisma de Eleanor Belmont, que dedicou grande parte da sua vida ao Spug que regularmente realizava encontros com os seus apoiantes e que inicialmente eram compostos unicamente por mulheres.

Uma curiosidade interessante destaca-se pelo facto de Theodore Roosevelt – que cumpriu dois mandatos consecutivos como presidente dos Estados Unidos – ter sido o primeiro homem a integrar o Members of The Society for the Prevention of Useless Giving.

“Acredito que o grupo pode alcançar algo que o individuo não consegue – a substituição gradual do verdadeiro espírito de partilha natalício em vez da troca de presentes coletiva e customizada que existe atualmente”, podia ler-se num cartão de sócio assinado por Roosevelt.

Apesar da adesão e do apoio que o Members of The Society for the Prevention of Useless Giving foi tendo ao longo dos anos, a verdade é que o mesmo acabou por se extinguir nos anos seguintes devido ao facto de, na altura, as atenções dos seus fundadores e do resto do mundo se terem passado a focar naquele que se viria a tornar num dos maiores acontecimentos da história: a Primeira Guerra Mundial.

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