Sexo, câmara, ação: a vida de uma atriz pornográfica

Quando se fala em atrizes pornográficas portuguesas Érica Fontes é o primeiro nome que vem à baila, mas hoje a conversa é com outra estrela da indústria. Tem 45 anos e um fascínio por sexo desde a adolescência. Sempre na companhia do marido, que a apoia a 100%, concretizou o seu sonho em 2006 e desde então já protagonizou várias dezenas de filmes. Conheça Carla Kinky que é umas estrelas do festival Eros Porto que arrancou esta quinta-feira.

“Foram de facto as nossas aventuras sexuais que nos levaram a fazer alguns clipes de filmes e a frequentarmos feiras eróticas, onde quem queria fazer sexo ao vivo poderia experimentar. E eu aproveitei essa oportunidade para realizar um sonho que tinha desde a minha adolescência”, revela Carla Kinky que é uma das estrelas da edição de 2017 do Salão Erótico do Porto.

No mundo artístico é conhecida como a rainha do dogging em Portugal - para quem não conhece o termo, significa ato de sexo consentido em público, um misto de voyeurismo e exibicionismo, onde se alcança o prazer pelo facto de desconhecidos estarem a assistir de perto. Mas voltando ao assunto, Carla Kinky explica: “Sou fanática por dogging e numa determinada altura, no Trancão, estive com 39 homens ao mesmo tempo. Daí saíram vozes de que eu era a rainha do dogging, pois até então ninguém ainda tinha feito tal proeza”. Para além dos filmes pornográficos, Carla também faz shows através de uma webcam e é proprietária de um clube de swing, AFRODITA.

Mas será que nesta profissão há espaço para ciúmes? “O sexo e desejo carnal é uma coisa, fazer amor é outra”, salienta.

Ser bonita e desprovida de preconceitos não chega para ser atriz pornográfica. “É algo que tem de nascer com a pessoa. Para além disso tem que se cumprir determinados requisitos. Não basta ter um bom corpo. É preciso ter à vontade em frente das câmaras e do restante staff para se fazer sexo com alguém”, explica.

À semelhança do que acontece na indústria do cinema, as atrizes pornográficas também estudam os papéis que desempenham. “Por norma só sabemos o guião algumas horas antes, mas temos o costume de preparar algumas das cenas que filmamos.”

Sexo, câmara, ação: a vida de uma atriz pornográfica

Contudo, apesar da importância que o sexo tem na sua vida profissional, Carla revela que é uma mulher como as outras. Trata da casa, da família e vai às compras. “Se tiver agendada alguma cena para filme porno, aproveito-a ao máximo. Depois vou até ao meu club de swing AFRODITA, faço sexo com quantos posso e vou para casa que amanhã será outro dia”, afirma sem qualquer pudor.

Adora a profissão que escolheu mas confessa que em termos físicos é bastante extenuante e cansativa. “Já contracenei com 12 homens num só dia”, revela, mas tudo tem um limite. “Recuso-me a fazer cenas violência e de BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo). São áreas que não me fascinam.”

Para se manter sempre em forma, Carla tem alguns cuidados com o corpo e tenta manter uma alimentação regrada e saudável. “Não como doces, raramente como fritos e não bebo bebidas alcoólicas. Para além disso pratico Muay-Thai”, conta.

Vergonha é uma palavra que não define a sua profissão. Casada e mãe de um filho, afirma que a sinceridade sempre foi algo que manteve com a sua família. “Apesar de alguns familiares terem deixado de me falar, a maioria apoia e incentiva a minha profissão. O mesmo se passou com o meu filho, de quem nunca escondi o que fazia mesmo quando era mais novo.”

Diz nunca ter fugido dos preconceitos sociais que enfrenta no seu dia a dia e não tem medo de rótulos: “Se me apontam o dedo eu ajudo a fazer a mira. Gosto mesmo muito que as pessoas passem por mim na rua e me identifiquem como atriz porno. Apesar de muitas ficarem espantadas com a minha profissão, a verdade é que muitas outras, mas mesmo muitas, acabam por ficar fãs.”

Carla acredita que este tipo de mentalidade ainda existe devido a ideias erradas que são perpetuadas sobre a indústria do sexo, frequentemente associada a doenças, a drogas e a uma grande promiscuidade entre atores. “As mulheres não são prostitutas”, frisa. “Tenho uma relação fantástica com os meus colegas e conseguem-se boas amizades.”

Mas quando se fala em dinheiro nesta profissão, a história é outra. Quem pensa que as atrizes pornográficas ganham muito dinheiro, desengane-se. O valor pago por cada produção depende muito da atriz contratada, do seu aspeto físico, do número de cenas que vão ser gravadas e, claro, do seu conteúdo. Há 8 anos no ramo, Carla revela que em termos remuneratórios esta não é uma profissão muito aliciante, mas como diz o ditado: quem corre por gosto não cansa.

“Se não o fizesse por gosto teria de me dedicar a outra profissão. Acho que se isso acontecesse provavelmente seria dona de casa, secretária ou operária”, afirma. Mas não tem outra profissão. É atriz pornográfica e admite que nunca encarou a sua carreira como algo temporário. “Pretendo seguir esta profissão por muitos mais anos, desde que tenha corpo e cabeça para isso”, remata.

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