Prazeres orais inspiram exposição ousada

Instalação de pintura de Carlos Barahona Possollo para ver no Príncipe Real (fotos)
Já a descreveram como uma mostra de pornografia renascentista explícita. «All you can eat – Uma interpretação dos sete sabores» é o nome da exposição de pintura de Carlos Barahona Possollo que hoje abre ao público no número 33 da Praça do Príncipe Real, em Lisboa, depois de uma inauguração para convidados que decorreu ontem. «A exposição contém imagens suscetíveis de ferir a sensibilidade do público, pelo que se desaconselha veementemente a menores», indicava o convite.
«Dos nossos sentidos, o sabor é, talvez, aquele que mais intimamente nos relaciona com o mundo. Apercebemo-nos do sabor das coisas quando as introduzimos na boca, numa comunhão primordial», afirma o pintor, que justifica a escolha deste órgão pela sua funcionalidade primária. «É o órgão onde este processo se inicia e onde o seu efeito pode ser mais estimulante», refere.
«A boca é um território intrinsecamente ligado ao sexo, local de luta e interacção, onde se recebe e se dá prazer. A palavra satisfação resume o papel fundamental da boca, satisfação do apetite, seja ele da fome ou da libido», acrescenta ainda. «Este meu projeto de instalação centra-se sobre os sete sabores cuja apreciação tradicionalmente se atribui à língua: ácido, amargo, doce, picante, salgado, metálico e umami», desvenda o artista plástico.
«Cada um destes princípios é encenado por um grupo de figuras em interação íntima, que exploram essa participação uns nos outros de forma variada. Interessa-me vincar a ligação sexual da boca, da língua, como órgão, acima de tudo, vocacionado para o prazer. Daí a figuração da anatomia genital que participa ativamente nas cenas. Pretendo reflectir sobre a total continuidade entre todas as coisas da libido», afirma o pintor.
A ousada exposição está patente ao público até 15 de dezembro, podendo ser visitada aos domingos, terças e quartas das 15h às 20h e às quintas, sextas e sábados das 15h às 22h. Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Carlos Barahona Possollo, que nasceu em Lisboa em 1967, já expôs em Londres, em Roma, em Trier, em Milão, em La Coruña, no Luxemburgo e em Bruxelas, além de várias cidades portuguesas.

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