Pornografia sem nudez

Curta-metragem sueca retrata a indústria do sexo para lá das imagens explícitas.

Marie, personagem encarnada por Jenny Hutton, ganha a vida como actriz pornográfica e um dia é obrigada a aceitar uma cena com dupla penetração – para que não a despeçam. É neste simples argumento que se baseia a curta-metragem “Pleasure”, da realizadora sueca Ninja Thyberg. O filme será exibido hoje e amanhã no festival de cinema independente de Sundance, nos EUA (a 30ª edição começou ontem e termina a 26 de Janeiro).

“Pleasure” retrata os bastidores da indústria pornográfica, os dilemas que se colocam aos atores e a realidade crua para lá da sensualidade. Tem 15 minutos de duração e, apesar da temática, não contém qualquer cena de nudez. O filme marcou presença no último festival de Cannes e ganhou o Prémio Canal + da Semana da Crítica.

Ninja Thyberg nasceu em Gotemburgo em 1984 e numa entrevista recente à revisa “Dazed & Confused” disse ter interesse pela pornografia desde há muitos anos. “Aos 16 anos era uma furiosa ativista anti-pornografia, mais tarde tornei-me realizadora de filmes pornográficos feministas. Através de ‘Pleasure’ quis retratar as pessoas de carne e osso por detrás dos estereótipos da pornografia”, explicou.

Um dos mais conhecidos documentários sobre os bastidores da pornografia foi realizado em 1977 por Lech Kowalski (a quem o festival DocLisboa 2007 dedicou uma retrospectiva). O realizador britânico de origem polaca assinou naquele ano a sua primeira longa-metragem, “Sex Stars”, no qual mostrava o dia-a-dia do cinema porno de Nova Iorque.

Um documentário do mesmo género, “Il N'y a Pas de Rapport Sexuel”, de Raphaël Siboni, foi realizado em 2011 e exibido em Portugal no festival IndieLisboa 2012. “Retrato de HPG, actor, realizador e produtor de filmes pornográficos, integralmente composto a partir de milhares de horas de imagens de bastidores”, lia-se na sinopse.

Bruno Horta

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