Pintora americana desafia os padrões de beleza tradicionais

Nascida a 11 de março de 1986, Aleah Chapin, residente em Seattle, usa a arte como forma de protesto contra a ditadura dos corpos perfeitos que a sociedade hoje nos tende a impor.

Tem um fascínio pelo corpo humano mas gosta de pintá-lo sem artifícios, tal e qual como ele é. Para Aleah Chapin, pintora norte-americana residente em Seattle, no norte da costa oeste dos EUA, os corpos de biquíni, as barrigas masculinas com six-packs e as silhuetas finas e elegantes não passam de uma imposição social, que procura a todo o custo combater, retratando homens, mulheres e crianças reais, com todas as virtudes e os defeitos que possam ter.

«Tento desenvolver um trabalho em que, apesar das pessoas estarem nuas, há uma representação que vai para além do sexo e da beleza», justificou já publicamente a pintora. Algumas das imagens mais fortes que materializou na tela podem ser vistas em exposições como «Body/Being», que atraiu milhares à Flowers Gallery em Nova Iorque em meados de 2016. Qwill, a prima, foi uma suas fontes de inspiração.

Aleah Chapin retratou-a nua, depois de ter removido os seios, no âmbito de um processo de mudança de sexo. «Apenas pretendo mostrar [com os meus trabalhos] que somos todos iguais, independentemente de sermos um idoso de 84 anos ou uma pessoa transgénero de 30», refere. «Devíamos focar-nos no que temos em comum em vez de termos medo do que é diferente», acrescenta ainda.

«Se o fizéssemos, o mundo seria seguramente um lugar mulher», defende a artista plástica, que em 2012 venceu o prestigiado prémio BP Portrait Award pelo trabalho «Auntie», um projeto estético que retratava uma mulher idosa nua. «Eu acho que o meu trabalho gera controvérsia porque mostra uma série de coisas que vão contra aquilo que estamos habituados a ver. Eu mostro a realidade imperfeita», diz.

«Todos sabemos que as mulheres que vemos nas revistas não são como elas aparecem lá. Nós esforçamo-nos por ser como elas e, como não conseguimos, porque aquelas imagens não são reais, culpamo-nos por isso. Em termos pessoais, pintar estes quadros é também uma forma de me aceitar a mim mesma», afirma Aleah Chapin, uma das artistas plásticas em destaque no livro de arte figurativa do ilustrador Robert Zeller, publicado a 28 de março de 2017.

Texto: Luis Batista Gonçalves com Aleah Chapin (fotografias)

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