Pessoas preferem não saber o futuro. Mesmo que seja bom

A maior parte das pessoas prefere não saber o que a vida lhe reserva, mesmo que sejam acontecimentos felizes, segundo um estudo publicado esta quarta-feira (22/02) pela revista da associação norte-americana de psicologia.

Lembrando Cassandra, da mitologia grega, que tinha o poder de prever o futuro, o autor principal do estudo, Gerd Gigerenzer, afirmou que o trabalho permitiu descobrir que as pessoas preferem recusar esse poder de adivinhar o futuro, quer para evitar o sofrimento que esse futuro pode trazer, quer para evitar arrependimentos, quer para manter o prazer de desconhecer o que de bom ainda está para vir.

Dois estudos que envolveram mais de 2.000 adultos na Alemanha e em Espanha concluíram que entre 85% e 90% das pessoas não queriam saber sobre acontecimentos futuros maus, e que entre 40% e 70% também preferia continuar ignorante sobre acontecimentos futuros bons. Apenas um por cento dos inquiridos disse de forma consistente que queria saber o que o futuro lhe reservava.

A investigação também conclui que as pessoas que preferem não conhecer os acontecimentos futuros são as que correm menos riscos e que com mais frequência fazem seguros de vida e outros. O momento em que ocorreria um acontecimento futuro também teve relevância, sendo a vontade de não o conhecer maior quando o acontecimento era mais próximo no tempo. Pessoas com mais idade tinham menos vontade de saber quando iam morrer e a causa da morte do que pessoas mais jovens.

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Os participantes foram questionados sobre uma variedade de temas, positivos e negativos, desde se queriam saber o resultado de um jogo de futebol que iriam ver mais tarde, a saber o que iriam ter como prenda de natal, ou se há vida depois da morte, ou se iriam divorciar-se.

Qual o sexo de um filho por nascer foi o único item em que houve mais pessoas que disseram querer saber do que as que preferiram não saber, com apenas 37% dos participantes no estudo a dizerem que não queriam saber se era menino ou menina.

Ainda que as pessoas entrevistadas nos dois países variassem na idade, educação e outros aspetos, o padrão de ignorância deliberada foi consistente.

Gigerenzer afirmou que querer saber “parece ser uma condição natural da humanidade” e lembrou que as pessoas quase sempre estão disponíveis para fazer a deteção precoce do cancro, exames regulares de saúde ou sujeitar bebés por nascer a uma bateria de testes genéticos. "Não querer saber parece contraintuitivo, mas a ignorância deliberada não existe apenas, é um estado de espirito generalizado", acrescentou.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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