Mulheres trabalham mais, mas são mais vulneráveis à pobreza do que os homens

Dados da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género
Portugal está entre os países da Europa com mais mulheres no mercado de trabalho, mas é também entre elas que a taxa de desemprego é mais elevada e são elas as mais atingidas pelo fenómeno da pobreza.



Os dados constam do mais recente relatório da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), relativos a 2011, que mostra que “o fenómeno da pobreza não é neutro, atingindo particularmente as mulheres”.


“Para tal, contribui a especificidade da sua participação na vida familiar, económica e social: auferem, em média, salários mais baixos, são mais afetadas pelo desemprego, têm menos proteção social, devido a uma participação mais irregular na vida económica”, lê-se no relatório.


Por outro lado, acrescenta, as mulheres têm uma esperança de vida mais elevada, comparativamente aos homens, o que faz com que muitas mulheres idosas se encontrem muitas vezes em “situações precárias, quer do ponto de vista dos recursos económicos, quer pelo isolamento em que vivem”.


De acordo com a CIG, com base em dados europeus e do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de risco de pobreza, para 2009, antes de qualquer transferência social era de 34 nos homens e de 35 nas mulheres, números que baixam depois das transferências para 16 nas mulheres e 15 nos homens.


Nas mulheres com idade entre os 18 e os 64 anos, a taxa de intensidade da pobreza, em 2009, era de 25,7, enquanto nas mulheres com mais de 65 anos se situava nos 17,3.


O relatório alerta que embora o emprego seja o fator mais importante para reduzir a pobreza, ter um emprego nem sempre é suficiente para proteger disse risco.


Segundo a CIG, a proteção social diminui o risco de pobreza e aponta que o Rendimento Social de Inserção (RSI) abrange mais mulheres do que homens, “refletindo assim a situação precária das mulheres”.


A outra faceta da exclusão social é a privação material, que se define pela ausência forçada de bens como habitação ou outros bens duráveis, um fenómeno “que é sempre maior entre as mulheres do que entre os homens”.


Dados de 2010 revelam que a taxa de privação entre as mulheres era de 22,9, enquanto entre os homens era de 21,9.


Sendo o emprego um dos principais fatores de redução da pobreza, a CIG aponta que “a participação feminina no mercado de trabalho tem, em regra, aumentado em toda a União Europeia” e que “Portugal está entre os que apresentam mais elevada participação feminina na atividade profissional (61,1%) ”.


Dados do INE, de 2011, revelam que a taxa de desemprego feminina era de 13,1, enquanto entre os homens era de 12,4.


“Em Portugal, considerando um valor de 4.837 milhares de indivíduos empregados em 2011, temos um valor de 5,7% de homens a trabalhar a tempo parcial e 7,6% de mulheres”, diz a CIG.


Já no que diz respeito à remuneração média mensal recebida em 2010, a CIG aponta que foi de 801,81 euros para as mulheres e de 977,56 euros para os homens, “o que significa que a remuneração média das mulheres foi 82,1% da dos homens” ou que “os homens receberam 121,9% do que receberam as mulheres”.


“Se, em vez das remunerações, considerarmos os ganhos, a diferença é ainda mais sensível: os ganhos das mulheres representam, me média, 79,1% dos dos homens, ou, dito de outra forma, os dos homens representam 126,5% dos das mulheres”, lê-se no documento.

6 de fevereiro de 2013


Lusa

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